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sexta-feira, abril 03, 2009

Portugal: o Estado Zen

Em Portugal, a crise não é tão profunda como no resto do mundo.

Em Portugal, a recuperação não vai ser nem de perto tão forte como no resto do mundo.

Em Portugal, divertimo-nos a decidir que uma conversa gravada deve ou não ser considerada legalmente prova, em vez de tentar perceber se o principal governante é ou não corrupto.

Em Portugal, condenados por corrupção podem exercer funções de gestão em empresas públicas.

Em Portugal, pune-se jogadores de futebol por simulação de penalties, mas a pontuação e classificação fica inalterada.

Em Portugal, todos vivemos num estado zen. 

Um Estado Zen

quarta-feira, março 18, 2009

Os Bónus dos executivos

A grande polémica do momento nos EUA e na Europa são os bónus pagos aos colaboradores, de acordo com o seu rendimento.

A questão é saber se o facto das empresas não serem lucrativas durante o periodo em questão, tendo mesmo que ser socorridas pelos respectivos Governos, com dinheiro dos contribuintes, é ou não suficiente para não cumprir os contratos estabelecidos.

Se de facto esses contratos nao preveem que esses bónus so possam ser pagos em caso de lucros, então de facto a empresa deverá considera-los como um custo inerente ao rendimento dos trabalhadores. Contudo, sendo a alternativa a falência, será correcto pagar esses bónus?

Por outro lado, será razoável retirar os rendimentos contratualmente merecidos aos colaboradores, so porque, por um lado a gestão foi má, e por outro, há enorme pressão de desemprego que impede esses trabalhadores de reclamar sob pena de perder o emprego ?


sexta-feira, março 13, 2009

Madoff finalmente na cadeia

Bernie Madoff, o responsável pelo maior esquema Ponzi (ou Dona Branca, como por cá é conhecido) da História (ou será o de Sir Allen Stanford???), declarou-se hoje culpado dos crimes de que é acusado, arriscando-se a cerca de 150 anos de prisão.

Uma das mais relevantes regulações num mercado liberal é precisamente a punição. Sem ela, nada é livre, tudo é arbitrário e perigosamente grotesca.

Fica a questão: o que é um mercado ou uma economia sem punição dos infractores ?

Um caos?

Uma economia com incentivo ao crime e à corrupção?

Faz lembrar algum país em particular ?

quarta-feira, março 04, 2009

O seu telemovel vale ouro !

Segundo dados recolhidos pela Bloomberg, cada tonelada de telemovel tem quase 350 g de ouro ! Quem disse que o metal precioso estava fora de moda !? 

Sendo Portugal um dos países com maior indice de penetraçao e utilização de telemovel por habitante, vamos é encher os cofres da nação com telemoveis! Just in case...

domingo, março 01, 2009

Tempos sombrios

Muitos de nós, jovens, nunca terão vivido qualquer verdadeira recessão económica, quanto mais uma depressão. Aliás, mesmo aqueles jovens mais atentos à evolução da sociedade e da civilização nunca talvez ponderaram, sequer, que chegasse uma altura em que tanto pode estar hipotecado no seu futuro, como indivíduos, e acima de tudo como sociedade.

 

Com a quantidade de dissertações sobre a actual crise, importa reflectir sobre como tirar partido da actual situação e, se possível, o que aprender para tornar a sociedade como um todo melhor, queira isso dizer uma nacionalização total dos meios de produção e um novo caminho de mercado para optimizar os recursos disponíveis.

 

O choque na procura mundial por bens e serviços vai eliminar milhões de postos de trabalho e causar a falência de inúmeras empresas, grande e pequenas. Todo o mundo até aqui considerado próspero, fora construido sobre um enorme balão de crédito, que subitamente deixou de existir. E sobre este enorme redimensionamento da economia mundial, pouco haverá a fazer, a não ser suavizar alguns efeitos mais devastadores do ponto de vista humano. Mas é indispensável olhar para o futuro – em todo o mundo, e em particular em Portugal – de uma perspectiva de transformação, de inovação, de construção, de optimismo, sob pena de se perder uma oportunidade única –  talvez em séculos – de lançar as bases para uma sociedade e uma economia sustentável e competitiva. Por mais doloroso que possa ser a transição, nomeadamente ao nível do desemprego com as consequentes crises sociais, é um período crítico de inovação. É este o momento das grandes decisões. É agora possível adequar e redimensionar empresas que viveram anos de constrangimento legal para despedir funcionários não produtivos ou excedentários (e isto aplicar-se-ia à função pública, não fosse o inevitável eleitoralismo); é agora possível criar um espírito de competição e mérito, onde a enorme massa de capital humano disponível para trabalhar irá competir não só para manter o posto de trabalho, no caso dos empregados, como para conseguir o melhor emprego possível, no caso dos desempregados (é talvez uma forma cínica de incentivo à produtividade que durante largos períodos andou afastada das relações laborais); é agora possível eliminar do tecido empresarial as empresas não competivivas, numa verdadeira selecção natural darwiniana; é agora possível ver as vantagens de uma economia de mercado forte, mas também as fragilidades do Estado para regular; é, enfim, agora possível elencar as vantagens da integração europeia e da moeda única, cuja presença de Portugal lhe permitiu manter as portas do crédito abertas para continuar a financiar a dívida pública, manter uma moeda estável e taxas de juro adequadamente baixas sem preocupações de ataques cambiais.

 

Mas nem tudo passa pelos agentes económicos. Cabe também ao Estado como supervisor, regulador e entidade responsável por evitar excessos (tarefa que lhe foi confiada e paga a peso de outro pelos contribuintes) a tomada de decisões orçamentais e fiscais adequadas, e acima de tudo, responsável. Depois do natural choque inicial, é necessário implementar medidas arrojadas. Os constrangimentos são, contudo, enormes, mas a altura é a ideal, tanto do ponto de vista de disponibilidade dos eleitores, como da flexibilidade das autoridades europeias nas contas públicas. A margem de erro é, contudo, reduzida, com os mercados a vigiarem de muito perto a viabilidade do próprio país para contrair mais dívida. Assim, urge impor medidas orçamentais estruturais, ou seja, evitar a tentação do keynesianismo das obras públicas, cujo efeito de curto prazo desaparece, mas a dívida fica, e apostar na competitividade fiscal e atractividade de investimento de qualidade. E acima de tudo, evitar ineficiências e injustiças fiscais; impor definitivamente uma política onde o contribuinte perceba por que paga impostos e qual o seu destino. E fazer isto tudo, com o intuito de suavizar efeitos da crise, mas lançando bases para o futuro.

                                                            

Mas não será só a economia que marcará este período. É normalmente nestas alturas mais depressivas que a criatividade surge e se manifesta mais intensamente. É, portanto, previsível, que a criação artistica sofra novo impulso, nas suas diversas vertentes, inspirada na variedade de dramas humanos e temáticas sombrias que estão a assolar o mundo. A manifestação e a concretização na arte dos desesperos sempre trouxe um novo fôlego à pintura, música e literatura. Verdadeiros legados de como é viver tempos sombrios e difíceis. Também aqui poderemos um dia olhar para este período e ver como a sua intensidade espoletou obras intemporais, para além da memória e da experiência pessoal de entender que o mundo nem sempre mantém a rota de felicidade que aparenta; mas que é nas assimptotas que reside a força da humanidade para se renovar, recriar e reaparecer mais forte e mais sustentada.



in Jornal "O Jovem" da JP da Maia

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Portugal sofre downgrade

A Standard & Poor's cortou um notch a notação de risco da dívida da República Portuguesa. Apesar de este corte estar ja há muito descontado nos mercados internacionais (nos Credit Default Swaps o nível de risco português cota cerca de 140 pontos base acima da taxa de swaps), este corte terá sem dúvida forte impacto no acesso ao crédito das empresas e banca portuguesa.

Logo à partida, se os bancos pagam mais caro a sua dívida a estrangeiros, menor será a transferência dos bancos de eventuais descidas de juros para os clientes.

Mas convém também referir que Portugal sofreu este downgrade a par da Espanha e Grécia (dos chamados PIGS - Portugal, Italy, Greece e Spain -, so falta mesmo a Itália...), o que significa que em termos de spread de crédito para o benchmark, ou seja, o Governo Alemão, a diferença já ultrapassa na caso português os 20o bp. Isto é, Portugal para pedir dinheiro emprestado terá de pagar mais 2% de juros que o Estado Alemão.

Sintomático de anos e anos de pseudo-reformas sem nada mudar estruturalmente. Que a actual crise nao sirva de desculpa, porque tempo e dinheiro houve para mudar...

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Mexe agora na Euribor Socrates....

A República está em vias de ver o seu rating cortado para A+ (somos actualmente AA- no S&P). Com isto, o dinheiro a crédito fica mais caro. Tanto para a dívida publica que necessitamos anualmente de refinanciar nos mercados internacionais, como para os bancos que se financiam também no exterior. Isto quer dizer que mesmo que a Euribor caia, se o risco de Portugal aumentar, esse efeito é diluido.

E nao vale a pena esconder o porque deste corte do S&P. Portugal tem uma dívida externa astronómica e propoe-se a gastar ainda mais com este Governo.

Esta irresponsabilidade tem um preço. Nos juros para começar. Claro que nisto o Primeiro Ministro já não diz ter metido o dedo.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Nao deem mais ideias aos Socialistas...

Agora o Governo Norte-Americano planeia implementar um incentivo de 25bn USD / ano para ajudar as contructoras de automóveis americanas a mudarem a tecnologia usada nos carros, isto é, para produzirem carros menos poluentes. A ideia na Europa parece usual, tal é a frequencia com que os governos a usam a custo dos contribuintes, sem olhar a regras de concorrencia desleal, mas nos EUA é algo de raro.

Tudo nao parece passar de mais um incentivo estatal encapotado, que servirá para cobrir as perdas do sector (lideradas pela GM e Ford) que acumularam so este ano cerca de 26 bn USD de losses fruto da conjugação de dois factores fundamentais para a industria automóvel: o crédit crunch (que também afectou os auto loans, não se restringiu às mortgages) e a subida do preço do crude oil... É obvio que o mercado nao se queixa quando ve entrar free cash no sistema, mas nao deixa de ser mais uma medida populista daquele que deve ser provavelmente o pior Governo da História dos EUA.

E Novembro que nunca mais chega... (e nem sequer acho que a solução passe por Obama...basta deixar de ser Bush...)

terça-feira, setembro 09, 2008

Estados Socialistas da América

Chamam-lhe o fim do Neo-Liberalismo. Chamam-lhe a implosão de uma ideologia. Riem-se com a tragédia de milhões de americanos, e com o fim da política social dos EUA como hoje a conhecemos. Talvez... Talvez não.

Precisamente o contrário. Esta é a prova cabal das contrariedades da política intervencionista do Estado. Antes e depois do bailout da Fannie Mae e Freddie Mac. 

O antes. 

Depois da Grande Depressão, os EUA decidiram criar a Fannie Mae. E depois a Freddie Mac, criada em 1970, em tempo de fraco crescimento económico. Intervenção do Estado que permitiu injectar liquidez no mercado e acelerar o processo de recuperação económica. Resultado: faliu em ruptura e incapacidade de se manter em economia livre; pagam os contribuintes. Neste caso, pagam os actuais contribuintes pelo bem dos contribuintes passados. Nao passou de impostos diferidos no tempo.

Mais. Depois das crises petroliferas dos anos 70 e da recessão do fim dos anos 80, o Governo Norte-Americano decide potenciar o ambito de acção das chamadas GSE (government sponsored enterprises) - leia-se, organizações cujo financiamento é pago pelos contribuintes -, para permitir que todos os americanos possam possuir casa propria. Mesmo que nao tenham condições económicas para o fazer. (Soa a socialismo, não?). Estas organizações, dado o apoio implicito de governo americano, permitem-se assegurar e mesmo securitizar mortgages e empacota-las em novos activos vendidos com uma margem, lucro para as Fannie e Freddie. Tradução: contribuintes pagam para ter uma entidade que tome os depositos de todos (mesmo os que nao deviam poder pedir emprestimos) e torne esses emprestimos um risco de todos. 

Contudo, estas GSEs nao eram empresas publicas. Os accionistas eram privados. Podiam investir (se quisessem) neste modelo de securitização, baseado no Estado. Mas o Governo so garantia a dívida. 

Como já tinha aqui dito em posts anteriores, nao era garantido que os investidores (chamem-lhe especuldores, ou o que quiserem) se salvassem em caso de bailout. E assim aconteceu. Ou seja, os "odiosos" especuladores perderam o seu investimento, e os contribuintes vão continuar a pagar para que todos tenham casa propria. Mesmo que nao queiram.

O Depois.

O Tesouro americano decidiu tomar firme (ou pelo menos ter a opção de tomar firme) as duas GSEs este domingo. Na prática, o Governo vai entrar como credor das GSEs em Preferred Stock (com seniority a todas as outras Preferred Stocks), o que apenas significa que garante (como já garantia) a dívida senior das GSEs e que toda a divida subordinada às Preferred Stock onde o Tesouro se coloca, provavelmente valerá muito pouco (ou mesmo zero).  [ convem aqui referir que preferred stock é um hibrido entre equity e dívida. funciona como uma acção, mas o pagamento de dividendos aproxima-se ao cupão de uma obrigação de dívida. Em caso de liquidação de uma empresa, apenas terá direito a reembolso de capital após a totalidade dos detentores de dívida senior serem reembolsados. Da mesma forma, os detentores de equity (acções) so receberão apos todos os detentores de divida senior e preferred stock serem reembolsados]

Traduzindo: os contribuintes garantem injectar 200 billion (200 mil milhoes) de USD se as GSE nao conseguirem sobrevivier. Vao pagar para alguns contribuintes nao perderem a sua casa.

Ora, tudo isto me parece tudo menos liberalismo económico. Não estou a alegar que os EUA nao sao um Estado liberal. Estou antes a alegar que, devido a pressões várias (há eleiçoes em Novembro...), o Governo americano abdica dos seus ideiais. E como a Historia sempre veio a confirmar, comete erros quando o faz.

Os contribuintes nao deviam ter que pagar para que quem nao podia ter créditos, os continue a ter, so para nao perder a casa que nunca devia ter tido. Os contribuintes nao deviam ter que pagar para salvar empresas publicas, feitas com bases erradas. Os contribuintes nao devem ter que pagar para ter show off pre-eleitoral (va lá que nao se lembraram de formar uma "Fundação Republicana para pensar na coisa pública...).

As GSE deviam ter falido. Com todas as consequencias que isso poderia acarretar. O mercado sempre sobreviveria. Provavelmente melhor do que sobrevive depois disto, porque esta intervenção abre brechas, o chamado risco moral: se se salva uma, ou duas, porque nao todas?


terça-feira, agosto 26, 2008

CGD: convem nao deixar passar

Apesar de ja se ter passado ha algumas semanas, convem nao deixar passar - e digo convém, porque é do interesse de todos os contribuintes - as movimentaçoes do Governo na Caixa Geral de Depósitos.

Depois de receber dividendos de cerca de 350 Milhoes de Euros, a CGD precisou de um aumento de capital de 400 Milhoes. Curioso. Diria que o accionista único é o mesmo que poe e tira. Curiosamente o Estado. Curiosamente, aquele que mais benificia desta artimanha contabilistica.

Em termos liquidos, apesar de parecer zero, é bem pior. Porque é normal a CGD pagar dividendos ao Estado. Mas 400 milhoes de aumento de capital...nem por isso. Não há problema. Pagamos nós.

terça-feira, julho 29, 2008

Iberia e British Airways preparam fusao. E agora TAP?

A espanhola Iberia e a britanica British Airways vai encetar conversaçoes para se fusionarem (sim, nao é "fundirem").

Para alem dos obvios ganhos de sinergias (inumeros avioes vai poder ficar parados), ha toda uma gestao de frotas, pilotos e trabalhadores, assim como de optimizaçao de recursos em dois dos maiores aeroportos da Europa (Barajas Madrid e Heathrow Londres).

Neste contexto, e nao esquecendo que a Iberia vinha ja ganhando inumera força na peninsula iberica fruto da agressiva politica de voos para a Europa, ganha agora mais poder naquele que vem sendo a sua grande aposta: os percursos sul-americanos, onde a TAP vinha tendo grandes esperanças.

Com o fim dos hedges para o preço do petroleo (desde ha um ano...) e a manter-se assim (nao é o que apostaria, mas é um cenário...), as dificuldades para a transportadora portuguesa so podem aumentar...

sexta-feira, julho 25, 2008

Liga Sagres na RTP: afinal sempre é pay per view

A RTP ganhou surpreendentemente o concurso de direitos televisivos em sinal aberto da I Liga de futebol. Nada de mais estranho portanto. E quanto mais pensamos nisso, mais estranho fica. Senao, vejamos:

1. A RTP é uma empresa pública. (inclua-se na definiçao, a má gestão, inerente a quase tudo o que é gerido pelo Estado).

2. O corolário de 1. é que é uma empresa falida, onde é necessário injectar capital (dos contribuintes, ora pois!) e fortemente subsidiada.

3. Sendo uma empresa pública, deve servir os interesses da sociedade. Eu gosto de futebol, mas isso nao significa que o futebol seja algo com impacto positivo na sociedade. Penso eu (de que).

4. Dir-me-ão, o futebol traz receitas publicitárias. Correcto. Mas o mundo está em recessão, a publicidade está a apertar o cinto, como toda a gente. Isto significa que o NPV deste projecto é menor, tanto maior for a oferta pelos direitos. Ora, sendo de grande interesse para qualquer televisão sem o enviesamento de ser detida pelo Estado, não lhes é permitido abdicar facilmente destes direitos. Ou seja, oferecem o maximo que podem para ainda ter lucro na operaçao. A RTP ofereceu mais que os canais privados.

5. A diferença entre o que a RTP oferece e o que a TVI oferece é o que a sociedade como um todo PERDE por não optimizar o mercado via privados. É uma externalidade...so que o futebol não é um bem publico... a RTP é que é... Por isso perde-se também o custo de oportunidade do montante pago (retirando a tal diferença) que poderia ser aplicado em programação de qualidade que servisse o interesse público, seja la o que isso for.

6. Nao vou falar sequer em ligaçoes ZON-PS-Joaquim Oliveira-etc.

quarta-feira, julho 23, 2008

Entao e o Robin de collants ?!

Agora que o Crude Oil voltou a preços de Maio (muito antes de se falar na taxa Robin dos Bosques) que vai acontecer ?

a) A taxa é suspensa;

b) o consumidor vai pagar o risco das petroliferas poderem ter que pagar a taxa;

c) os preços nao baixam nas bombas, e fica tudo na mesma, no nacional-porreirismo-socialista;

segunda-feira, julho 14, 2008

Capitalismo para (des)entedidos em Estado Central

Reconheço que para nao especialistas, a economia e em especial as finanças possa dar a "Ilusão da Visão" para interpretações dispares. Temo no entanto que em muitos casos essa ilusória necessidade de "interpretar" segundo uma ideologia barra e esbarra na realidade pura e dura, cujo desconhecimento compreende-se. A economia real, o capital e os mercados financeiros são exactamente como o dinheiro: sem cor e sem ideologia.

A minha ideia de neo-liberalismo pode também em parte entrar neste enquadramento, e esbarrar também ela na realidade, mas nunca a tal ponto utópico.

Neste post que apesar de assinado por um não especialista, tem o mérito de abordar o tema, há inumeros erros da tal "interpretação".

1. Os bancos são empresas especiais, não pelo poder financeiro que supostamente lhes é atribuido pela esquerda política, mas sim pelo facto de serem o nucleo de qualquer economia (seja ela de Estado Central ou Liberal).

2. Os bancos e entidades financeiras por serem especiais, tem também obrigações especiais, incluindo uma muitas vezes esquecida nestas "interpretações" obrigação de deixar uma percentagem dos seus depósitos numa entidade supervisora (como nenhum outro sector tem), que em Portugal se dá pelo nome de Banco de Portugal. Seria bom ver por uma vez estes acerrimos defensores do proletariado avançarem com ideias economicamente inteligentes (em vez da hipocrita retória do costume), como obrigações semelhantes para outras empresas.

3. Talvez seja falta de conhecimento ou nao, mas para o mercado muitas das vezes as intenções funcionam quase tão bem como os actos propriamente ditos, quando vindo da autoridades. É o sinal que é dado que importa. No caso em particular da Fannie Mae e Freddie Mac, o Tesouro Norte-Americano ao assegurar a dívida destas empresas deu um sinal positivo que a tal dívida tem de facto baixo risco. Ainda (e provavelmente nunca terá que o fazer) não colocou um único centimo nessa dívida. O mesmo se aplica à equity destas empresas. O Estado se por acaso tiver que comprar acções de alguma destas empresas, fá-lo-á a um preço extraordináriamente baixo (quem sofre serão os "odiados" "jogadores"), pelo que os contribuintes farão ainda um excelente negócio (privatizaram caro e agora recompram barato...). A equity em caso de falência vale ZERO.

4. Convem também nao esquecer que foram estas duas empresas quem possibilitou o chamado American Dream, que inclui naturalmente inumeros imigrantes vindos de ditaduras comunistas por essa América Latina fora, a fugir da miséria a que foram votados. E o contribuinte até aqui também nada pagou por isso...

Dito isto, aceito sugestões para perceber quem é que realmente tomou o risco... Se o Estado ou os privados que perderam dinheiro.

E ja agora, expliquem-me como seria um mundo sem sistema financeiro. Sem classes? Ou com caos ?

O sistema bancário americano

sábado, julho 12, 2008

Fannie Mae e Freddie Mac: o centro da crise

A crise hipotecária nos EUA atingiu esta semana o seu auge, certa de um ano depois de começar. Na semana em que a maior parte dos mercados mundiais entraram oficialmente em bear market (designaçao que lhes é dada depois de cairem mais de 20% desde o ultimo máximo), duas empresas estiveram em especial destaque, pelo seu comportamento em bolsa, mas especialmente pela sua importância na maior economia do mundo.

A Federal National Mortgage Association (mais conhecida pelo acrónimo Fannie Mae) e a Federal Home Loan Mortgage Corporation (com o acrónimo Freddie Mac) sao GSEs (Government Sponsored Enterprises) mas detidas por stockholders (investidores, como qualquer outra empresa cotada em bolsa). Tanto a Fannie Mae como a Freddie Mac tem como negócio financiar hipotecas (a outras entidades financeiras) ou garantir essas hipotecas, e como contrapartida (e daqui vem o seu lucro) vender MBS (mortgage backed securities), que nao sao mais do que pacotes de hipotecas que financiou ou garantiu, mas cuja reuniao em pacotes permite vender por um preço mais elevado do que se o fizesse individualmente, via efeito de diversificaçao de risco. Por outras palavras, empresta dinheiro a entidades financeiras que fazem emprestimos para comprar casa a clientes, e por outro lado, investidores de MBS emprestam-lhes dinheiro; via efeito de diversificaçao, a taxa que cobram é maior que a taxa que pagam, pelo que o seu negocio é na pratica securitizar hipotecas.

A criaçao destas entidades permitiu dar liquidez ao mercado de hipotecas nos EUA, e foi uma forma de universalizar o acesso a uma habitação própria aos americanos. Foi portanto uma politica social, iniciada em 1968 e intensificada e massificada a partir de 2000. Para aqueles que olham os EUA como o centro do capitalismo, esta foi uma forma via mercado de tornar possivel que muitos americanos pudessem ter uma casa propria.

Contudo, a espiral de preços das casas teve um forte revés há cerca de 2 / 3 anos atras. Em julho de 2007 estourou a crise do subprime, e muitas das entidades financeiras que detinham hipotecas ou instrumentos derivados de hipotecas subprime, viram o seu patrimonio desaparecer, e muitas foram inclusivamente à falencia.

Contudo, estas duas GSEs, não estao no negocio do subprime, as suas hipotecas sao na esmagadora maioria de qualidade superior (prime ou near-prime). No entanto, as hipotecas que detem correspondem a metade do valor total de hipotecas dos EUA, isto é, detém ou securitizam cerca de 5 trillion USD (5 biliões de USD) do total de 12 trillion USD.

Tanto a Fannie Mae como a Freddie Mac esta semana desvalorizaram-se cerca de 70% em bolsa , com rumores que estariam em falencia técnica segundo os critérios contabilisticos em vigor nos EUA, onde os MBS (e todos os activos) teriam de ser avaliados ao fair price (ou seja, em caso de liquidação imediata, qual o seu valor no mercado). Sendo que o mercado de MBS está praticamente "morto", estes activos, apesar do valor intrinseco, tem um baixissimo valor de mercado, devido à escassez de procura.

Sendo GSEs, tanto a Fannie Mae como a Freddie Mac tem uma garantia implicita do Governo Norte-Americano, que assegura a sua divida tacitamente. Contudo, isto nao implica que reste algum valor para os accionistas...

Em caso de tomada firme pelo Governo Americano destas GSEs, a divida publica Norte-Americana praticamente duplica, pelo que será a maior injecçao de capitais publicos para obra social que ha memória...

Nada mau para o centro do capitalismo e imperialismo que tantos odeiam...

sexta-feira, julho 11, 2008

Robin Hood II - O Heroi em Collants

A economia e a política tem destas coisas engraçadissimas. Não é que os ambientalistas e defensores de medidas ecológicas agora estão calados com este novo imposto sobre a Galp ?

Curioso, porque o aumento do custo dos combustíveis incentiva não só a poupança de energia (e menos poluição, consequentemente) como acima de tudo incentiva o uso e desenvolvimento de novas energias alternativas...

Claro que tributando a Galp para "ajudar os mais desfavorecidos", o Estado está indirectamente a tornar menos rentável o projecto que ainda ontem apresentou dos carros electricos.

Pior, está a tornar uma situação onde a preocupação com o preço com os combustíveis e com o ambiente, se torna uma perseguição a lucros legítimos.

Mas, no fim de contas, quem é que julgava que a esquerda era coerente ?

quinta-feira, julho 10, 2008

Robin Hood ao poder ! Traz um amigo também !

Um Estado que cobra impostos especiais a empresas especificas é um Estado no mínimo pró-Revolucionário ou pró-Soviético. Parabéns extrema-esquerda. Ganharam.

Agora preparem-se para que as melhores empresas saiam do País assim que puderem. Eu assim o faria. E fiquem com os vossos sindicatos e o desemprego.

Ridiculo.

Tenho vergonha do Estado em que vivo e acima de tudo dos pseudo-governantes intelectualmente menores e desonestos que temos.

(Pergunto-me se o Estado criaria baixa de impostos especiais à Galp se por acaso o Crude Oil passasse de repente para abaixo de 40 USD... Ou se por acaso algum arauto de esquerda viria reclamar pelos prejuizos "extraordináriamente baixos". )

Robin Hood, Sheriff de Nottingham e o King Richard

OK. O Robin Hood roubava as colectas de imposto ao Sheriff de Nottingham, mandado pelo King John, para redistribuir pelos pobres.

Pergunta: Os escaloes de IRS e a tributação chamada "progressiva" ja nao é supostamente uma forma de redistribuição de riqueza? Então e que dizer dos infindáveis subsídios que o Estado dá aos desbarato sem saber exactamente se cumprem o fim para o qual foram criados ?

Claro que o tirano King John tentava cobrar o máximo de imposto aos cidadãos, e o Sheriff de Nottingham era o cobrador coersivo.

Pergunta: O Estado já nao cobra demasiados impostos?

A situação do povo em geral na floresta de Sherwood era de facto precária. Ao fim ao cabo, por mais que trabalhassem e recolhessem de riqueza, sabiam que mais cedo ou mais tarde o Sheriff lhes retiraria o proveito do seu trabalho.

Pergunta: A cobrança desmedida de impostos incentiva à produtividade ?

Pergunta: Cobrar impostos a quem mais conseguia ganhar (uns menos pobres que outros, mas todos pobres, todavia, em Sherwood) resolvia as desigualdades sociais ou tornava todos igualmente paupérrimos ?

Como centro da revolta popular, Robin Hood decide roubar ao Sheriff e ao King John, para devolver o dinheiro aos pobres, nao se sabe ao certo em que proporções.

Pergunta: Já nao há quem fuja ao fisco ?

Pergunta: Entre tirar e voltar a redistribuir, porque nao deixar tudo como está?

Pergunta: Já nao pagamos demasiados impostos (não esqueçamos que neste "nos" incluo as empresas que nos pagam salarios)?

Depois da chegada do King Richard, tudo ficou diferente. Presume-se que os impostos tenham baixado, porque Robin Hood viveu feliz para sempre com a Lady Marion.

Pergunta: Mas será que foi pelos roubos do Robin Hood ou por uma política diferente ?

Pergunta: O King Richard perguntou quem era o mais rico ou quem é que produzia mais ferro ou mais vestidos de cetim para a Lady Marion e passou a cobrar lhes mais imposto por isso so porque eram bens com elevada procura ?