segunda-feira, janeiro 23, 2006

As incontornáveis eleições Presidenciais

Pelo elevado número de visitas a este espaço de discussão, pude verificar que ha curiosidade quanto à minha posição neste assunto. Só agora disponho de tempo para aqui escrever, mas enganem-se aqueles que julgam que estive a buzinar pelas ruas e avenidas Aveiro...

Cavaco Silva foi eleito Presidente da Républica. Mas Cavaco Silva não é um neoliberal, fique bem claro. É, sim, a única alternativa que não inviabiliza o crescimento. Mesmo tendo em conta que não irá governar de Belém.

Cavaco Silva também não será um D.Sebastião. Certamente que não. Não vai salvar o País da crise, porque não são os políticos que o salvarão. Serão os agentes económicos. Já será suficientemente bom se os políticos não dificultarem essa tarefa.

Mas Cavaco Silva é o primeiro Presidente da Direita Democrática em Portugal. Isto é, de momento, uma incognita. Que postura irá ter, é impossível descrever. O que sei é que Cavaco Silva é um mal menor. Talvez até um mal necessário. Tenho algumas dúvidas que Cavaco Silva tenha o perfil ideal para o cargo, mas tem as competências e as capacidades para o fazer.

É um mal menor até para o PS. No seu estilo, Alberto João Jardim descreveu bem o que se passou: o PS conseguiu de uma só cajadada "matar" os dois "coelhos" que vinham a fazer oposição interna. Até ao nível institucional penso que o PS tem tudo a ganhar: menos instabilidade, mais apoio, mais cooperação.

Mas Cavaco Silva teve uma vitória tangencial. Mesmo apesar de ter ganho à primeira volta. A verdade é que indubitavelmente Cavaco Silva não teria ganho sem os votos do Partido Popular. E este é um sapo que ele, eles e nós temos que engolir. Ele por tudo o que fez no passado; eles porque mais uma vez precisaram do apoio do PP; e nós porque apesar de tudo, não é o nosso candidato ideal. Mas foi, é e será - apesar de tudo -, também o nosso candidato.

Uma palavra para Manuel Alegre: Pátria! Admiro e respeito muito este candidato, por todo o esforço, toda a coragem e crença que mostrou ter. 20.7% é um excelente resultado. Por isso e por toda a campanha (mais ou menos bem conseguida) os meus parabéns pelo sinal de cidadania (espero que Manuel Alegre ainda não tenha feito o copyright da palavra...). Não era, contudo, um candidato que defendesse um espaço político em que acredito.

Agora Anibal Cavaco Silva é o Presidente da Républica Portuguesa. Para o bem e o para o mal cá estaremos para analisar. Mas nunca esquecendo quais eram as alternativas...

Parabéns Cavaco Silva, Parabéns PSD e JSD pelo esforço de campanha, Parabéns CDS-PP pelo acto patriótico, onde pos o interesse nacional acima dos interesses partidários e Parabéns à JP pela liberdade que sempre tiveram/tivemos na escolha da posição nestas eleições.

2 comentários:

Anónimo disse...

ora aqui está uma análise lúcida ao acto eleitoral presidencial.

Migas (miguel araújo) disse...

Carlos
Concordo com qause tudo o que referes.
Só não acho que Cavaco fosse um mal menor. Era (e principalmente para nós cds.pp e jc, apesar da memória histórico-política recente) o candidato melhor perfilado ao centro-direita.
Quer em relação às alternativas em 'jogo', quer mesmo ás nossas alternativas. Sejamos realistas. Tínhamos mais alguém capaz de disputar este desafio?! Não me parece.
E aqui fomos mais inteligentes que a esquerda. O apoio a uma candidatura única tornou-se um factor determinante. Como exemplo, os tais 5% de que falas e que não ficaram dispersos por 'guerrilhas' existenciais. è claro que fomos patrióticos. Não me parece, por isso, que tenhamos engolido um sapo.
Quanto ao PS, tenho uma ideia pessoal e clara: não saiu derrotado. E não creio que internamente fragilizado. Porque a estartégia delineada pareceu-me algo pré-concebida. Manuel Alegre era mais incómodo que Soares e Cavaco. Apresentar um candidato para minorar o efeito Alegre era fundamental. E aí apareceu uma terceira ou qaurta escolah que foi Soares, que o próprio PS saberia à partida perdedor.
Agora descansam durante 3 anos.
Porque dividensods da maioria não estou a ver ninguém retirar, nem o próprio psd e marques mendes.
Abraços