domingo, junho 14, 2009

As eleições europeias

Parece que, ironicamente, só as equipas de sondagens se surpreenderam em tom cinicamente assustado quando saíram os resultados das europeias.

O PS provavelmente até deliberadamente escolheu um candidato reconhecidamente MAU para poder invocar a ingovernabilidade do País nas próximas legislativas. A questão é saber se os eleitores gostam que se brinque com eles, com o seu direito de voto e com os seus representantes. Por outro lado, pode ser perigoso para o PS deixar o PSD crescer animicamente.

O PSD parece que renasceu para a política com estas eleições, mas tudo parece muito pouco sustentável. Um partido que vive para o poder, se reune para o poder, sem ideologia própria, dificilmente consegue sustentabilidade fora da aleatoriedade das escolhas alheias. E ja agora, uma líder antipática que "nao gosta de comícios" também não ajuda. Apesar de lembrar a senhora Tatcher, não lhe chega aos calcanhares. Infelizmente.

A extrema-esquerda e a esquerda radical em Portugal nestas europeias é que cresceu assustadoramente. Aconselho vivamente a todos os jovens que votaram cegamente num desses partidos para se informarem um pouco melhor do tipo de ideologia que estão a apoiar e assim poderem justificar racionalmente a razao da seu sentido de voto. Nenhum desses partidos tem na sua genese ideologica qualquer apego pelos mais basicos fundamentos democráticos ou de liberdade, pelo este radicalismo é deveras assustador.

Já o CDS-PP registou um agradabilissimo resultado, fruto de um esforço e da competência unanimemente aceite dos seus candidatos, em particular o cabeça-de-lista Nuno Melo, cujo trabalho na Assembleia da Republica é elogiado por todos. É uma enorme prova que a meritocracia em Portugal tem apoiantes, e que os portugueses sabem reconhecer e premiar quem realmente se empenha pela causa pública.

Em suma, com o nível de abstenção registada, pouco ou nada se poderá concluir para as legislativas, embora seja claro o sinal de protesto em relação ao Governo PS. A legitimidade do PS para governar tecnicamente é a mesma, mas politicamente saiu extraordinariamente fragilizada a capacidade de implementar medidas que afectem recursos dos contribuintes por várias gerações.

A coligação PSD - CDS/PP avança em Aveiro

Depois de muitas hesitações, os dois partidos entenderam-se localmente para manter a coligação que os levou ao poder na últimas autarquicas. Dada a falta de vivacidade e destreza da candidatura do PS, resta à coligação exigir-se melhorar nos erros que eventualmente possa ter cometido e nos aspectos onde pode ser melhor.

Reservo-me a mais comentários quando forem oficializadas as listas.

Governo recusa plano do BPP

Por uma vez nesta legislatura, o Governo PS parece ter tido em conta os interesses dos contribuintes (resultado da reprimenda eleitoral ?), e recusou garantir as aplicações financeiras dos clientes do BPP.

Nada de mais correcto. Das duas, uma: ou os clientes foram enganados pelo banco, e nesse é um caso de justiça, ou os clientes estavam cientes dos riscos, e acabaram na parte errada da curva de probabilidades. Em qualquer um dos casos, o Governo nada tem a ver, muito menos o contribuinte.

Deixar o mercado funcionar (e a Justiça, já agora..) é o que se exige.

De regresso

Não, o anúncio da morte do neo-liberalismo foi claramente exagerado.

Após uma visita à Islândia, eleições Europeias, resignações de Conselheiros de Estado, rescusa de nacionalização de mais um banco em Portugal, anúncio das candidaturas à CM de Aveiro e mais uns quantos factos relevantes em termos políticos e económicos em Portugal e no Mundo, senti-me de novo obrigado a voltar aos posts. Até porque deixar a blogosfera entregue à esquerda é um erro que já chega ter sido cometido na comunicação social tradicional...

Mais uma lavagem de cara do blog, para anúnciar mais um regresso.


sábado, abril 04, 2009

Os políticos no Facebook

Os políticos estão definitivamente a invadir o Facebook. Já nem aí é um safe haven ?!

FASB altera regra contabilistica

O FASB (Financial Accounting Standards Board), a entidade responsável pela instituição das regras contabilísticas nos EUA, alterou esta semana a regra contabilística para determinação do valor a contabilizar para activos pouco liquidos ou em pressão forte de venda (fire sale).

Assim, as instituições financeiras que detenham activos dificeis de avaliar pelo normal funcionamento do mercado poderão usar os seus próprios modelos de avaliação (mais subjectivos) sob o principio do mark-to-model diário, em vez do actual mark-to-market, ou seja, avaliando esses activos a preços de mercado.

Sendo esta alteração altamente discutível, permite que as instituições financeiras passem a não ter que registar perdas absurdamente elevadas nos activos que detém e que eventualmente nem quer vender, apenas porque outros agentes de mercado se veem na contingencia de desfazer esses activos a qualquer preço. Esta nova regra institui portanto um novo principio, em que se presume que um activo é iliquido e dificil de avaliar em mercado, a não ser que haja prova em contrário.

A selvajaria sob o disfarce de manifestação

Tanto em Londres antes e durante a cimeira do G20 como hoje e amanha na cimeira da NATO surgem fortes protestos nas ruas, de supostamente, populares.

A questão é que nem os protestantes são "mero" povo, nem as manifestações são propriamente...democráticas. Senão, vejamos.

O direito ao protesto é obviamente inalianável, mas o mesmo não se pode dizer do direito ao disturbio, à desordem pública, à destruição de propriedade publica e privada e à invasão à liberdade dos outros.

Na City de Londres, todos os trabalhadores - friso, trabalhadores - dos bancos e afins com inumeros escritórios na zona foram aconselhados vivamente a virem vestidos "casual" para não serem considerados potenciais "alvos em movimento". Ora, sendo o protesto até compreensível, já a violencia que o mesmo encerra totalmente condenável. 

Mais.

Estas "manifestações" estratégicamente organizadas para eventos deste tipo, para além de não ajudarem em nada a resolução dos problemas (tanto que o G20 teve tomadas de posições bastante duras em relação aos erros cometidos pela comunidade financeira), são autenticos "resorts de luxo" e destino turistico de eleição para radicais extremistas de esquerda e anarquistas, cujo único objectivo é causar desordem, espalhar pânico e provocar um rasto de destruição por onde passam, cujas viagens e estadias são cuidadosamente pensadas e planeadas por organizações pouco dadas a princípios da liberdade.

Isto não é democracia, é atitude selvagem.

sexta-feira, abril 03, 2009

Portugal: o Estado Zen

Em Portugal, a crise não é tão profunda como no resto do mundo.

Em Portugal, a recuperação não vai ser nem de perto tão forte como no resto do mundo.

Em Portugal, divertimo-nos a decidir que uma conversa gravada deve ou não ser considerada legalmente prova, em vez de tentar perceber se o principal governante é ou não corrupto.

Em Portugal, condenados por corrupção podem exercer funções de gestão em empresas públicas.

Em Portugal, pune-se jogadores de futebol por simulação de penalties, mas a pontuação e classificação fica inalterada.

Em Portugal, todos vivemos num estado zen. 

Um Estado Zen

G20 chega a acordo razoavelmente historico

A cimeira de Londres do G20 correu melhor do que o esperado, indubitavelmente. Chegou-se a duas importantes decisões:

- listar e gradualmente eliminar paraísos fiscais;

- reforçar os fundos do FMI em 500 mil milhões de USD para apoiar economias em dificuldades.

Para além disto, houve um razoavel consenso de que, dada a globalização (inevitável e incontornavel), as soluções tem que ser atingidas e negociadas entre todos. China incluída.

Família Obama em Buckingham

Foi um desastre o primeiro teste ao conhecimento do protocolo da Família Obama. Barack ofereceu um iPod à Rainha, enquanto Michelle decidiu tocar (abraçar ??) em Isabel II.

É cool, é popularucho, é cor-de-rosa. Só isso.

quinta-feira, março 26, 2009

JC no FB

O novo candidato do PS à Camara de Aveiro ao que parece ja tem perfil no Facebook. Porreiro pah! 


Cool !

sexta-feira, março 20, 2009

Os bónus dos executivos ( II )

Passou no senado norte-americano por larga maioria um imposto especial de 90% ( !!!!!!!!!! ) sobre os bónus dos colaboradores das empresas "bailed-out" pelo Governo americano.

Algo me diz que isto nao é a solução...

quinta-feira, março 19, 2009

Quão ridícula consegue a JS ser ?

Diz-se que a estupidez, ao contrário da inteligência, não tem limites.

quarta-feira, março 18, 2009

Os Bónus dos executivos

A grande polémica do momento nos EUA e na Europa são os bónus pagos aos colaboradores, de acordo com o seu rendimento.

A questão é saber se o facto das empresas não serem lucrativas durante o periodo em questão, tendo mesmo que ser socorridas pelos respectivos Governos, com dinheiro dos contribuintes, é ou não suficiente para não cumprir os contratos estabelecidos.

Se de facto esses contratos nao preveem que esses bónus so possam ser pagos em caso de lucros, então de facto a empresa deverá considera-los como um custo inerente ao rendimento dos trabalhadores. Contudo, sendo a alternativa a falência, será correcto pagar esses bónus?

Por outro lado, será razoável retirar os rendimentos contratualmente merecidos aos colaboradores, so porque, por um lado a gestão foi má, e por outro, há enorme pressão de desemprego que impede esses trabalhadores de reclamar sob pena de perder o emprego ?


Quantitative Easing, versão Aveiro

Como já se percebeu, não é intenção de nenhum Banco Central deixar as taxas de curto ou longo prazo subirem a níveis muito altos. Ou seja, agora sim, é uma excelente altura para fixar créditos a taxa fixa (os Swaps a 30 anos estarão a rondar os 4%....)

Claro que quem fixou a dívida a uma taxa muito superior (timing ou opção errada...) está a ter um custo de funding (e de oportunidade) gigantescamente superior e durante periodo razoavel e previsivelmente alargado do que poderia caso optasse pela taxa variável...

Opções estratégicas...

Quantitative Easing, versão FED

O UK já tinha avançado com esta medida, e hoje a Reserva Federal Norte-Americana decidiu iniciar à compra de 300 mil milhões de USD de Treasuries, ou seja, obrigações de dívida pública americana, de longo prazo, isto é, com prazos superiores a 10 anos. Para além disto, anunciou também que vai comprar dívida das GSEs e MBS. Tudo somado, são 1,25 trillion USD em compras.

Estas compras, contudo, vão ser feitas sem financiamento ao FED, ou seja, representa a expansão da massa monetária, vulgo, impressão de moeda.

O grande objectivo passa por manter as taxas de longo prazo baixas, assim como evitar que a expectativa de crescimento e/ou inflação de longo prazo agrave essas mesmas taxas.

As consequencias práticas são:

1. Aumento do preço da dívida pública americana (aumento de procura, baixa da taxas de juro)

2. Monetarização da dívida existente

3. Possibilidade de pressão inflaccionista no longo prazo

sábado, março 14, 2009

José Costa: a primeira entrevista

O candidato do PS à CM de Aveiro nas primeiras declarações como tal ao Diário de Aveiro mostrou como está o PS no Concelho. Preso entre um passado cheio de obras feitas por pagar e um futuro que passa precisamente pelas medidas que a actual Coligação tem vindo a implementar. 

Esgotado o espaço socialista, resta então o recurso ao aproveitamento dos conflitos sociais que sempre surgem quando se tenta solucionar problemas financeiros gravissimos como o da CMA. 

Neste caso, foi bem visivel que o PS vai seguir esse caminho demagógico, e começou precisamente pela MoveAveiro. E veja-se como é um exemplo perfeito do que referi no primeiro paragrafo: uma empresa criada pelo mandato socialista de Souto que criou a actual situação, mas cujo actual PS diz-se contra. Além do mais, é fácil criticar quem tem que gerir a CMA no estado que foi deixada pelos socialistas, pois nenhuma decisão é fácil ou sem externalidades negativas. 

E quem pode acreditar que depois de dois mandatos socialistas sem nenhuma racionalidade económico-financeira serão os próprios socialistas a tentar continar a resolver o problema das contas da CMA !? Eu não.

O inigualavel ministro da Administrçao Interna maçon

Para o ministro da Administação Interna o facto relevante de 2008 não é a criminalidade ter disparado exponencialmente (apesar de admitir que tal aconteceu, mal era...), mas antes que foi por causa da intervenção das forças policiais que este aumento desacelerou no segundo semestre de 2008 (!!!!!!!!!!!!!)

Ou seja, o Ministro prefere relegar para segundo plano a evidente falta de segurança dos cidadãos e o aumento dos crimes violentos e outros, e preferindo ao invés evidenciar o decréscimo da primeira derivada (em linguagem matemática) da criminalidade. Brilhante!

Deve estar à espera que o "Grande Arquitecto do Universo" faça o resto...

Pirate Bay transformado em movimento cívico

A polémica está lançada. Após o encerramento do site Pirate Bay por um tribunal sueco, surge agora um movimento cívico transformado em partido político da Suécia e com vontade de eleger um deputado para o Parlamento Europeu. Ao que parece está a reunir bastantes apoios junto dos eleitores mais jovens da Suécia e por essa Europa fora.

Para os curiosos, aqui fica o site: 

sexta-feira, março 13, 2009

Islândia ( II )



Apesar de falido, eis uma das maiores riquezas da Islândia, a Blue Lagoon.


one trillion dollars

Quem nunca tentou imaginar o que significa 1 trillion de dolares (em bom português, um bilião de dolares)?

Aqui finalmente essa visualização é possível.

Islândia

Vou iniciar uma série de posts sobre este estranho país cuja principal vantagem comparativa da economia(na expressão de David Ricardo)é a pesca, mas que se tornou num gigantesco hedge fund, sem particular especialização ou dotação, mas a que aos seus bancos foi permitido todo o tipo de loucuras, incluíndo disponibilizar à economia crédito financiado por moeda estrangeira. Claro que hoje a moeda local (a coroa islandesa) não tem valor (ninguem aceita ou sequer lhe dá um preço) e a dívida deixada pelos 3 bancos existentes ronda as 8,5 vezes o PIB islandês, e o Glitnir, Kaupthing e Landsbanki naturalmente faliram.

A Vanity Fair fez uma reportagem fantástica sobre este país que aconselho vivamente ler:

http://www.vanityfair.com/politics/features/2009/04/iceland200904?printable=true¤tPage=all

Madoff finalmente na cadeia

Bernie Madoff, o responsável pelo maior esquema Ponzi (ou Dona Branca, como por cá é conhecido) da História (ou será o de Sir Allen Stanford???), declarou-se hoje culpado dos crimes de que é acusado, arriscando-se a cerca de 150 anos de prisão.

Uma das mais relevantes regulações num mercado liberal é precisamente a punição. Sem ela, nada é livre, tudo é arbitrário e perigosamente grotesca.

Fica a questão: o que é um mercado ou uma economia sem punição dos infractores ?

Um caos?

Uma economia com incentivo ao crime e à corrupção?

Faz lembrar algum país em particular ?

sexta-feira, março 06, 2009

Main Street vs Wall Street

http://www.thedailyshow.com/video/index.jhtml?videoId=220252&title=cnbc-gives-financial-advice



A sátira aos mercados financeiros. Admito que as vezes parece ser merecido...


Citações Históricas

"We achieved absolutely nothing except that we collected a lot of money from a lot of poor devils and gave it to the four winds." 

Montagu Norman, Bank of England Governor (1920-1944) looking back in 1948 on the effect of central bank action during the 1930's (quoted in the Economist 10-01-09)

quarta-feira, março 04, 2009

Diáspora aveirense do programa Contacto na blogosfera







O seu telemovel vale ouro !

Segundo dados recolhidos pela Bloomberg, cada tonelada de telemovel tem quase 350 g de ouro ! Quem disse que o metal precioso estava fora de moda !? 

Sendo Portugal um dos países com maior indice de penetraçao e utilização de telemovel por habitante, vamos é encher os cofres da nação com telemoveis! Just in case...

terça-feira, março 03, 2009

Autarquicas '09

Finalmente o PS de Aveiro decide o seu candidato, depois de vários nomes falhados e recusas mais ou menos públicas. 

O enorme respeito que tenho pelo Dr Jose Costa não me permite elaborar sobre o facto de notoriamente não ser primeira escolha. 

Contudo, o que me parece evidente é que o PS em Aveiro está altamente fraccionado, e pior que isso, é incapaz de definir um rumo de ruptura com o passado ou, legitimamente, de retoma da herança (pesada) de Alberto Souto. É sob este céu que o Dr. José Costa terá que provar ser uma alternativa real. Para já, não o é.


domingo, março 01, 2009

Tempos sombrios

Muitos de nós, jovens, nunca terão vivido qualquer verdadeira recessão económica, quanto mais uma depressão. Aliás, mesmo aqueles jovens mais atentos à evolução da sociedade e da civilização nunca talvez ponderaram, sequer, que chegasse uma altura em que tanto pode estar hipotecado no seu futuro, como indivíduos, e acima de tudo como sociedade.

 

Com a quantidade de dissertações sobre a actual crise, importa reflectir sobre como tirar partido da actual situação e, se possível, o que aprender para tornar a sociedade como um todo melhor, queira isso dizer uma nacionalização total dos meios de produção e um novo caminho de mercado para optimizar os recursos disponíveis.

 

O choque na procura mundial por bens e serviços vai eliminar milhões de postos de trabalho e causar a falência de inúmeras empresas, grande e pequenas. Todo o mundo até aqui considerado próspero, fora construido sobre um enorme balão de crédito, que subitamente deixou de existir. E sobre este enorme redimensionamento da economia mundial, pouco haverá a fazer, a não ser suavizar alguns efeitos mais devastadores do ponto de vista humano. Mas é indispensável olhar para o futuro – em todo o mundo, e em particular em Portugal – de uma perspectiva de transformação, de inovação, de construção, de optimismo, sob pena de se perder uma oportunidade única –  talvez em séculos – de lançar as bases para uma sociedade e uma economia sustentável e competitiva. Por mais doloroso que possa ser a transição, nomeadamente ao nível do desemprego com as consequentes crises sociais, é um período crítico de inovação. É este o momento das grandes decisões. É agora possível adequar e redimensionar empresas que viveram anos de constrangimento legal para despedir funcionários não produtivos ou excedentários (e isto aplicar-se-ia à função pública, não fosse o inevitável eleitoralismo); é agora possível criar um espírito de competição e mérito, onde a enorme massa de capital humano disponível para trabalhar irá competir não só para manter o posto de trabalho, no caso dos empregados, como para conseguir o melhor emprego possível, no caso dos desempregados (é talvez uma forma cínica de incentivo à produtividade que durante largos períodos andou afastada das relações laborais); é agora possível eliminar do tecido empresarial as empresas não competivivas, numa verdadeira selecção natural darwiniana; é agora possível ver as vantagens de uma economia de mercado forte, mas também as fragilidades do Estado para regular; é, enfim, agora possível elencar as vantagens da integração europeia e da moeda única, cuja presença de Portugal lhe permitiu manter as portas do crédito abertas para continuar a financiar a dívida pública, manter uma moeda estável e taxas de juro adequadamente baixas sem preocupações de ataques cambiais.

 

Mas nem tudo passa pelos agentes económicos. Cabe também ao Estado como supervisor, regulador e entidade responsável por evitar excessos (tarefa que lhe foi confiada e paga a peso de outro pelos contribuintes) a tomada de decisões orçamentais e fiscais adequadas, e acima de tudo, responsável. Depois do natural choque inicial, é necessário implementar medidas arrojadas. Os constrangimentos são, contudo, enormes, mas a altura é a ideal, tanto do ponto de vista de disponibilidade dos eleitores, como da flexibilidade das autoridades europeias nas contas públicas. A margem de erro é, contudo, reduzida, com os mercados a vigiarem de muito perto a viabilidade do próprio país para contrair mais dívida. Assim, urge impor medidas orçamentais estruturais, ou seja, evitar a tentação do keynesianismo das obras públicas, cujo efeito de curto prazo desaparece, mas a dívida fica, e apostar na competitividade fiscal e atractividade de investimento de qualidade. E acima de tudo, evitar ineficiências e injustiças fiscais; impor definitivamente uma política onde o contribuinte perceba por que paga impostos e qual o seu destino. E fazer isto tudo, com o intuito de suavizar efeitos da crise, mas lançando bases para o futuro.

                                                            

Mas não será só a economia que marcará este período. É normalmente nestas alturas mais depressivas que a criatividade surge e se manifesta mais intensamente. É, portanto, previsível, que a criação artistica sofra novo impulso, nas suas diversas vertentes, inspirada na variedade de dramas humanos e temáticas sombrias que estão a assolar o mundo. A manifestação e a concretização na arte dos desesperos sempre trouxe um novo fôlego à pintura, música e literatura. Verdadeiros legados de como é viver tempos sombrios e difíceis. Também aqui poderemos um dia olhar para este período e ver como a sua intensidade espoletou obras intemporais, para além da memória e da experiência pessoal de entender que o mundo nem sempre mantém a rota de felicidade que aparenta; mas que é nas assimptotas que reside a força da humanidade para se renovar, recriar e reaparecer mais forte e mais sustentada.



in Jornal "O Jovem" da JP da Maia

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A guerra de egos

Em Aveiro a política parece sofrer do mesmo mal que no resto do País. Infelizmente.

Troca-se o que deveria ser o superior interesse da Cidade por guerras politico-partidárias e choques de egos demasiado grandes para a dimensão real das competências associadas. O que só torna o caso mais ridículo.

Fará sentido discutir nomes e jogar estratégicamente por antecipação ou reacção, quando a estabilidade deveria ser a única prioridade, até considerando o período de grave crise que se vive? 

Fará sentido jogar nomes à fogueira pré-eleitoral para perceber qual deles tem melhor resultado, independentemente da sua utilidade e competência para a Cidade ?

Quando chega a altura de eleições, a toque de sino, urge juntar as tropas em redor da garantia do maior número de lugares prometidos possíveis e/ou dos maiores proveitos pessoais. Tudo o resto parece ser secundário.

Por isto tudo, é ridículo o PSD adoptar uma estratégia de querer dominar e liderar sozinho; é ridículo o PS não conseguir definir e definir-se a tempo de constituir alternativa real e válida; e é ridículo o líder do CDS-PP numa atitude teimosa, autista e arrogante achar-se com capacidade e experiência para estar à altura das exigências.

sábado, janeiro 24, 2009

Governo PS

Convido-os a visitar esta pagina e tentar perceber a qualidade da equipa governamental portuguesa. Um sacrificio, entendo. Mas com eleições à porta, como eleitores responsáveis, é impreterível votar e decidir baseado e fundamentado em avaliação rigorosa àqueles que nos governam. Chega de votar como se tudo não passasse de um campeonato de futebol para ver se ganham os rosa ou os laranja. 

Vamos la então:

III Divisão

Ministro da Cultura
Pinto Ribeiro

Entrou a meio da Legislatura, pediu mais dinheiro para a cultura, despediu uns quantos directores artisticos. Basicamente ficou tudo mais ou menos na mesma. Ou seja, mau.

Ministro do Ambiente e afins
Nunes Correia

Alguem sequer conhece este senhor? 

Ministro da Presidencia
Silva Pereira

Ministro dos Assuntos Parlamentares
Augusto Santos Silva

O cão de guarda do Governo no Parlamento. Eloquente parlamentar na básica retórica de infantário do nosso Parlamento. Pergunto-me para que serve este Ministério quando o Governo so vai ao Parlamento dizer o que vai fazer e não submeter-se à democracia parlamentar que supostamente é sugerida pela Constituição.

Ministro da Agricultura, Pescas e Afins
Jaime Silva

Esbanjou oportunidades de fundos europeus, a agricultura é cada vez mais desprezada e o interior desertificado. A agricultura não é rentável com este senhor. E a sua inacreditável arrogancia e preconceito para com a Direita inaceitável. So se ouviu pelas críticas que fez e nem uma vez pelo que tenha feito. Uma legislatura perdida na agricultura, um desastre de Ministro.

Ministro do Trabalho e Segurança Social
Vieira da Silva

Arrogante e incompetente. Estava encarregado de cumprir a promessa fantasiosa de criar 150.000 postos de trabalho (sublinho "criar", o que pressupoe que o emprego  liquido cresça, não basta empregar 150.000 novos funcionarios publicos enquanto 300.000 privados sao despedidos...isso é mentir aos portugueses). Um político mediocre, quanto mais Ministro. Mais um cão de guarda político socialista. Serviu mal o País, e quando é assim, é preciso dize-lo com frontalidade: houve mais desemprego (antes da crise...) e a segurança social continua sem sustentabilidade e, pior que isso, sem justiça social ou incentivos à produtividade e ao mérito de quem trabalha. Andou ao sabor do que convinha eleitoralmente ao PS. Mas era suposto ser Ministro de Portugal...
 
II Divisão

Ministra  Saúde
Ana Jorge

Chegou a meio da Legislatura para apagar o incendio deixado pelo anterior Ministro que pretendia fechar todas as unidades de saúde para reestrutura o Sistema de Saúde, mas sem ter alternativas prontas. Um erro tremendo de uma política importante. Ana Jorge veio gerir ate ao fim da legislatura para deixar tudo como estava antes deste Governo chegar. Alias, deixa tudo ainda pior. Sem rumo, sem política, sem peso político para mudar seja o que for. Isto é gestão corrente, nao era preciso um Ministro.

Ministra da Educação
Lurdes Rodrigues

A mais odiada entre os professores. A mais incompetente que há memória. Um sistema de avaliação baseada na ideologia socialista que os alunos não devem ter dificuldades em passar, a cultura do "deixa andar", da falta de rigor e do incompreensível modelo de não querer premiar os bons, mas antes não enervar os maus para que as estatísticas digam que somos um país de "doutores". Falhou em todas as vertentes. Já devia estar demitida há meses. Pergunto-me como, depois disto, ainda algum professor ou pai pode votar no PS...  

Ministro da Ciencia Tecnologia e Ensino Superior
Mariano Gago

Existe este Ministério? Ah, as universidades públicas estão todas falidas, o acesso ao ensino superior continua a não ser acessível aos melhores, porque não ha o cheque ensino, e não ha ranking de universidades. Tudo à moda socialista. País mediocre, mas todos iguais! Lembram-se quando no inicio este Ministro ainda vinha levantar a voz? Passou-lhe meses depois. Desde aí, nem se ouve falar. E está tudo bem pior. (neste acho que a culpa nem é dele...)

Ministro da Administração Interna
Rui Pereira

Um maçon que não tem mão na polícia, nem nos criminosos. O crime organizado cresceu exponencialmente, a polícia continua desarmada e desorganizada e mal paga. Um falhanço em toda a linha. Incompetencia pura.

Ministro da Defesa Nacional
Severiano Teixeira

Nada a assinalar. Nem bom nem mau. 

Ministro da Economia
Manuel Pinho

Gosta de velocidade e de gaffes. Nem sei se me lembro de todas. Primeiro, Portugal para a China tinha vantagem comparativa pelos baixos salários que pratica, depois estavamos já em crescimento e fora da recessão com o subprime a rebentar nos EUA. Nem vou falar nos negócios obscuros que foram falados nos jornais.

Liga Sagres

Ministro dos Negocios Estrangeiros
Nuno Amado

Para mim, o único Ministro em condições deste governo. Curiosamente, o menos "político" de todos. Não me lembro de nenhuma falha grave, a não ser quando ia apertar a mão ao Primeiro-Ministro e este entretanto preferiu ir aperta-la a outro chefe de Estado europeu. A Presidência Europeia apesar de tudo, correu bem.

Ministro da Justiça
Alberto Costa

A Justiça em Portugal cada ano que nada se faz, piora. E estes ultimos anos, esta quebra foi ainda mais significativa. Os juizes parecem estar em protesto permanente, ao não mandar prender criminosos. E depois, claro, o crime mais usual em Portugal - a corrupção! - continua impune. E tudo muito lento e burocrático. Tudo muito a jeito para que quem possa pagar e manter um bom advogado possa adiar decisões judiciais até ao arquivamento final. Incompetente e sem peso político.

Ministro das Obras Publicas e afins
Mario Lino

"Jamais". É preciso dizer mais ? Queria empurrar o país para uma decisão errada de milhares de milhoes de euros, arrogante, e nao admite erro. Em Portugal, ainda é Ministro. Na Republica das Bananas, ja tinha sido demitido ou apresentado demissão.

Ministro das Finanças
Teixeira dos Santos

O Ministro de quem mais se esperava. Não estava "muito" conotado com a area socialista mais purista e tinha um razoavel curricula. Entrega Portugal com um defice orçamental gigantesco, uma dívida externa acima dos aceitáveis e com um downgrade do risco de crédito. Todo o "aperto de cinto" foi contabilidade criativa, nada de estrutural foi feito. O despesismo do Estado, esse continua todo la.

Primeiro-Ministro
Jose Socrates

Suspeita de corrupção a pairar no ar no fim da legislatura (nao vou mencionar aquele pormenor da "licenciatura"). Muito marketing, inumeras apresentações de investimento estrangeiro (pouco se viu a entrar...so a sair). Competência para lidar com os tempos dificeis que correm: zero. Querem mesmo continuar a votar nele? A serio, querem mesmo???!

Em Portugal, a corrupção é como a culpa...

... paira no ar, todos respiramos, desvance na brisa matinal do esquecimento e morre solteira.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Mais um canal ?

Numa altura de grave recessão mundial, não será com certeza a melhor altura para se pensar em organizar mundiais de futebol ou introduzir 5º canal de televisão. Até porque se sabe o estado financeiro dos actuais canais de sinal aberto...

O que não se compreende é que o estranho "partido" Bloco de Esquerda argumente contra a introdução de um quinto canal em sinal aberto com a diminuição das receitas de publicidade. Isso mesmo! O BE argumenta com um elemento liberal e de economia de mercado... quando um 5º canal obviamente alargaria naturalmente o pluralismo e consequentemente a liberdade de escolha e de expressão... 

Thain despedido do Bank of America

John Thain, o ex-CEO da Merrill Lynch que foi adquirida pelo Bank of America no fim de semana em que a Lehman Bros faliu, foi despedido hoje. Tudo porque para além do estranho caso de pagamento de bónus antecipadamente (antes da concretização da aquisição) e das perdas supresa no ainda à data Merrill Lynch, foi surpreendido pela divulgação da factura da redecoração do seu escritório. Ao que consta, a conta superava o milhão de dolares (!!!!).

Veja a lista de compras (que inclui um tapete de 80 mil dolares) exuberantes e a história completa aqui:


quarta-feira, janeiro 21, 2009

Portugal sofre downgrade (II)

Ainda sobre o downgrade...a pergunta impõe-se: depois do aviso da S&P que o rating português estava sob vigilância com vista a um corte, o Ministro das Finanças Teixeira dos Santos deslocou-se a Londres para falar com os responsáveis da S&P; mas afinal foi la fazer exactamente o quê? Humilhar-se perante a agencia de rating? Implorar para que nao cortassem o rating a Portugal? Demonstrar que Portugal é de facto um País que funciona na base da "cunha" e da corrupção mesquinha, e portanto foi "meter uma cunha" à S&P para que se "esquecesse" de Portugal ? Ridiculo.

Portugal sofre downgrade

A Standard & Poor's cortou um notch a notação de risco da dívida da República Portuguesa. Apesar de este corte estar ja há muito descontado nos mercados internacionais (nos Credit Default Swaps o nível de risco português cota cerca de 140 pontos base acima da taxa de swaps), este corte terá sem dúvida forte impacto no acesso ao crédito das empresas e banca portuguesa.

Logo à partida, se os bancos pagam mais caro a sua dívida a estrangeiros, menor será a transferência dos bancos de eventuais descidas de juros para os clientes.

Mas convém também referir que Portugal sofreu este downgrade a par da Espanha e Grécia (dos chamados PIGS - Portugal, Italy, Greece e Spain -, so falta mesmo a Itália...), o que significa que em termos de spread de crédito para o benchmark, ou seja, o Governo Alemão, a diferença já ultrapassa na caso português os 20o bp. Isto é, Portugal para pedir dinheiro emprestado terá de pagar mais 2% de juros que o Estado Alemão.

Sintomático de anos e anos de pseudo-reformas sem nada mudar estruturalmente. Que a actual crise nao sirva de desculpa, porque tempo e dinheiro houve para mudar...

Obama Obama e mais Obama...enough is enough

Obama no Capitolio
Obama no Parque
Obama na parade
Obama nos Bailes
Obama na White House
Obama na sala Oval
Obama com Michelle
Obama com o cão

...

Parece a Anita.

Pede-se trabalho. Muito. 

Chega de marketing.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Imprimir dinheiro

Não, não vou propor que se comece a imprimir notas na impressora la de casa. Mas ao nível dos Bancos Centrais, a questão já se põe.

Nos bancos centrais tradicionais, como o japonês, americano ou inglês, o mandato inclui a possibilidade de expansão monetária, ou seja, a criação de moeda.

Contudo, o Banco Central Europeu tem como único objectivo a manutenção da estabilidade de preços no longo prazo. Num cenário normal, isto não inclui criação de moeda para além do normal. No cenário actual...também não. Se a situação actual é grave e a recessão uma certeza, a saída da crise dificilmente será a expansão monetária. Tal poderá ter efeitos no curto prazo (e então estamos na pura teoria keynesiana), mas no longo prazo implica inflação descontrolada. 

O dilema do ECB é, porém grande. O perigo de forte recessão pode empurrar a medidas de curto prazo, tal a pressão e emergencia actual. Se temos ou não a capacidade de olhar para o futuro com uma perspectiva de sustentabilidade é o que resta saber. À partida, o ECB tem o mandato para tal.

RBS: the rise and fall

O Royal Bank of Scotland, um banco sediado em Edimburgo mas na ultima decada se expandiu a um ritmo alucinante (a par da bollha imobiliaria...), foi hoje praticamente nacionalizado. 

Sua Magestade, a Rainha Isabell II detém agora 70% do banco. Detém também um dos bancos com piores balanços em termos de activos toxicos, com as piores perspectivas de lucros futuros. A avaliar pelos resultados actuais, há muito trabalho para os subditos do Reino. 

O RBS é um caso sintomático dos exageros que foram sendo cometidos. Aquisição atras de aquisição, culminadas com a compra exuberante do ABN Amro por valores que dariam para comprar praticamente todos os bancos do mundo, e hoje obrigado a fazer o write down das mais-valias dessa aquisição...em 20 mil milhões de GBP. 

Hoje, com a emissão de direitos em acções ordinárias a 31,75 pence (de Libra esterlina), a acção caiu mais de 60%.

O fim está perto.

Greve dos Professores

O líder da Frente Sindical regozija-se pelo numero de escolas fechadas, da quantidade de alunos sem aulas... Será so a mim que isto não soa nada bem ?!

domingo, janeiro 18, 2009

Barack Obama toma posse


Obama, o primeiro afro-americano eleito presidente dos EUA, tomará posse na próxima Terça-Feira. Hoje, numa demonstração do seu poder de marketing, percorre - tal como Lincoln fez - por comboio a distancia entre Philadelfia e Washington. 

A verdade é que pior que Bush é dificil. Esse será provavelmente lembrado como o pior e menos inteligente presidente americano da História. Mas estar à altura das expectativas e das exigências, é outra história. Prometeu certamente muitas coisas que não poderá cumprir. Comprometeu-se com muita gente que vai desiludir. Assume uma postura de identificação racial que provavelmente não vai manter. Tudo faz parte da política e de fazer política. Decidir. Resta perceber se o marketing vai ou não sobrepor-se às reais necessidades do povo americano.

XXIII Congresso CDS-PP

Terminou o 23º Congresso do CDS-PP nas Caldas da Rainha (que já agora, se encontra sob o espectro da falência da fabrica Bordallo Pinheiro, legado do grande criador português), onde foram demonstradas cabalmente as diferenças que o CDS-PP pode trazer para o País.

Entre novos orgãos eleitos e novo rosto da oposição interna (Filipe Anacoreta Correia), entre a ausência de Nobre Guedes (onde está o Guedes?), e as referências à educação ( e avaliação de professores) e exigencia de descida de impostos sobre empresas, destaco a não aprovação da proposta da Juventude Popular para o reestabelecimento da eleição do líder do Partido em Congresso e a proposta (a primeira de muitas, espera-se) para o julgamento sumário (em 48horas) de criminosos apanhados em flagrante.

Segue-se as eleições Europeias, Autarquicas, e Legislativas. Espera-se que por esta ordem.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Calvin&Hobbes há 15 anos atrás...

Mexe agora na Euribor Socrates....

A República está em vias de ver o seu rating cortado para A+ (somos actualmente AA- no S&P). Com isto, o dinheiro a crédito fica mais caro. Tanto para a dívida publica que necessitamos anualmente de refinanciar nos mercados internacionais, como para os bancos que se financiam também no exterior. Isto quer dizer que mesmo que a Euribor caia, se o risco de Portugal aumentar, esse efeito é diluido.

E nao vale a pena esconder o porque deste corte do S&P. Portugal tem uma dívida externa astronómica e propoe-se a gastar ainda mais com este Governo.

Esta irresponsabilidade tem um preço. Nos juros para começar. Claro que nisto o Primeiro Ministro já não diz ter metido o dedo.

Lino pedir informações para campanha eleitoral? Jamais!

Mário Lino volta à carga ao seu estilo (?!).

Agora o Ministério das Obras Públicas exige saber cada data e local de inicio, fim e anuncio de obras e inaugurações.

Para o Ministério estar informado, claro! Que ninguém pense que é para fins eleitorais!!!!!!

Ah! já agora... o Ministério nao devia saber essas datas !? que andarão a fazer por la ?!

Steve Jobs de baixa

O CEO da Apple tirou baixa por doença. Ao ver o seu estado de saúde agravar-se e a influência que tal estado tem sobre a cotação da "sua" Apple, resolveu retirar-se e preparar a sucessão.

O mercado não gostou de saber que o maior criativo e genio do marketing pode deixar de prestar serviço à Apple, sabendo que foi pela sua mão que transformou uma empresa praticamente falida numa marca de culto e de design.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Republica Portuguesa: Negative Credit Watch pela S&P

A Republica Portuguesa, tal como a CGD e Parpublica (e também o Santander Totta), foram colocadas no chamado Negative Credit Watch, a lista que antece o downgrade do rating da S&P.

A par de Espanha e outros paises europeus, Portugal está à beira de descer um notch. Assim, Portugal pode perder o rating AA- e passar para A+, fruto de políticas orçamentais deficitárias continuas ao longo de varias decadas, agravadas pela crise. 

Não é de estranhar, contudo, esta revisao da qualidade de crédito de Portugal. A dívida pública portuguesa nunca foi controlada, e apenas a integraçao na Zona Euro permite a Portugal continuar a refinanciar-se com alguma regularidade. E também não foi propriamente uma surpresa, pelo que já estará certamente descontada nos preços das obrigações do tesouro e emissões garantidas pelo Estado recentemente. Não obstante, convém reflectir se será este o caminho que queremos seguir para Portugal, isto é, continuar a hipotecar as gerações futuras e por em risco a sustentabilidade financeira do país com políticas despesistas, mesmo que com a desculpa da crise. Os outros países podem gastar agora, porque foram comedidos durante várias decadas. Nos estamos sobreendividados desde 1974...


segunda-feira, janeiro 05, 2009

O puro Neo-Liberalismo

A diminuição da assimetria de informação, a diminuição do lucro do monopolista, a concorrencia pelo preço, pela qualidade, pela eficiencia da descoberta do preço. isto é Neo-Liberalismo

Socrates, o governador sombra do ECB !

Na mensagem de ano novo (ou de Natal, ja nem me lembro bem) o entusiasta PM Jose Socrates advogou a tomada de decisão de descida dos juros, com um bem composto e ja habitual auto-elogio.

Nem as taxas de juros são definidas pelos Governos nem o ECB pode ser sujeito a pressões de qualquer tipo dos políticos. Mais areia atirada aos olhos dos portugueses. E nós parece que gostamos. 

Ajude as vitimas de Madoff !!!

Decorrem neste momento vários leilões no eBay com diversa memorabilia de valor incalculável (??!) da firma de Madoff. Caps, Malas, Caixas de Charutos, Tapetes para Rato (este ja vai em 187 USD). Enfim, tudo o que diga Bernie Madoff Investment Securities parece ter valor para alguem. 


E ao que parece os proveitos vão para as vítimas da fraude. 

PS: quando é que começam a leiloar artigos de certos bancos portugueses ?

Bem-vindos a 2009. O ano do Touro

Venha daí esse Bull Market...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Equador !!!





O Equador decidiu deixar de pagar a prestação da sua divida externa hoje, que será devida na proxima semana. Esta falha no pagamento do cupão das obrigações emitidas consiste portanto no segundo default deste país nesta década. 

A dívida externa do Equador é cerca de 21% do seu PIB. Ainda assim, os seus governantes preferiram nao pagar as dívidas a alterar planos de educaçao e saúde. (será isto o verdadeiro keyenesianismo !?).

Para além deste brilhante (??) e poeirento vídeo do Sash, deixo-vos ainda o ranking da dívida externa dos países que a Wikipédia disponibiliza. Para reflectir. 



Quem disse que as taxas de juro nao podiam ser negativas?

Podem começar a reescrever os vossos textbooks. As taxas de juro podem ser negativas. Ou seja, é possivel que um investidor pague a alguem para emprestar dinheiro a essa pessoa, por mais incoerente e irracional que pareça.

Esta semana, as 3-month US T-Bills negociaram a um yield inferior a zero, o que significa que os investidores, tendo em conta as restantes condições do mercado, preferem literalmente PAGAR ao Tesouro americano para ficar com o seu dinheiro emprestado (leia outra vez, nao me enganei, o Tesouro americano recebe para emprestar dinheiro) do que investir noutro lado. Na pratica, poder-se-a entender isto como um escalonamento de expectativas de investimento: a 3 meses, os investidores parece preferirem perder dinheiro emprestando ao Governo americano, do que tomar o risco (e certamente o valor esperado calculado é inferior) de investir em qualquer outro activo...

Sintomático. E estranho.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Cadbury

CR7

Ok, o miudo parece arrogante, mas de um ponto vista profissional, vale a pena analisar o que é realmente Cristiano Ronaldo.

Para além de talento natural para o futebol, CR7 tem uma enorme vontade de ser sempre melhor, e ultrapassar os seus limites. Isso soa arrogante apenas a quem - como em Portugal é hábito - se contenta pela mediocridade. Por isso CR7 é diferente, porque tem uma mentalidade vencedora, sabe que se trabalhar, maximiza o seu desempenho, e é remunerado e premiado por isso. É ambicioso e decidido. E é altamente produtivo. Tudo o que costuma faltar aos portugueses. Quanto aos seus vícios...bem, se o desempenho não é afectado, o que é que interessa? Mas por cá preferimos olhar para os defeitos e comentar o acessório e não seguir o exemplo daquilo que devia ser a atitude de todos para fazer de Portugal um País ainda melhor.

Obama aumenta espaço de manobra

Barack Obama é um político muito audaz. A prová-lo esta mais esta iniciativa durante o fim-de-semana de reforço do cenário pessimista da crise assim como do tamanho do investimento público.

Expectativas baixas, entrega elevada.

Com a mensagem de que a crise vai piorar antes de haver melhorias, o presidente-eleito tem agora poder para fazer o maior pacote de investimentos públicos desde o New Deal, planeando construir pontes, estradas, hospitais, e edificios publicos, todos com novos criterios de consumo de energia e novas tecnologias. Este plano julga-se estar entre 700 a 1000 mil milhões de USD. 

Sondagem CM Aveiro

É sempre positivo para as democracias que haja uma consulta através de amostragem dos eleitores. Com este ponto prévio, devo dizer que tendo alguma formação em estatística, dou alguma importância e significância (que não significado) às sondagens, embora tenha algumas reservas quanto ao rigor das respostas.

É inquivoco que Elio Maia se perfila como o natural candidato de uma coligação formada para resolver o problema financeiro da CMA. Também é evidente que a actual Concelhia do CDS-PP se foi gradualmente afastando do espírito da Coligação, embora esta posição não é de todo consensual, com as figuras proeminentes do projecto inicial a manterem a sua postura de compromisso por Aveiro no espírito de Coligação. Nos tempos díficeis, como são indubitavelmente os que se adivinham, não é altura para preponderancia de grandes egos ou de partidarismos, quando o grande desafio é navegar Aveiro pela tormenta da crise financeira internacional e da crise orçamental herdada. Aveiro não pode dar-se ao luxo de falhar novamente, nem de promover carreiras políticas motivadas pela ambição pessoal, e não o serviço pela Cidade.

Outro ponto interessante é o regresso (sem nunca de facto ter partido) de Alberto Souto. Uma curiosa batalha parece emergir no PS. De um lado um líder socialista que não encontra candidato, do outro, um ex-presidente, ex-candidato derrotado, que nunca aceitou humildemente a derrota pelo voto popular, nem nunca admitiu o desastre financeiro criado nas obras megalomanas, permanceu o periodo do actual mandato sempre numa penumbra iluminada e recatada, assombrando sempre que possível as decisões do actual executivo. E eis que agora surge ávido por uma recandidatura que ninguem (até os socialistas mais conotados com o anterior executivo...) parece querer.

Aveiro merece e precisa de credibilidade e estabilidade.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Mulheres na Política: a política da mulher?

A quotas estão aí. Haverá maior discriminação do que a imposição de um número obrigatório de mulheres em listas eleitorais? É uma aberrante concretização do conceito de ultra intromissão do Estado em tudo o que quer controlar via legislativa. 

E o mérito? Onde está ?

Mal está uma sociedade onde é necessário obrigar organizações a um rácio pre-definido de distribuição por género. Por que não uma quota por idade ? Ou por preferencia sexual ? Ou por grau académico ? Enfim...ridículo.

Atentados terroristas na India

Provoca repulsa o terrorismo. A luta contra o terrorismo é talvez o maior desafio dos políticos modernos. Já se percebeu que a via da força demora muito tempo, dinheiro e vidas humanas para resolver o problema do extremismo. Será a via do diálogo com terroristas radicais a solução? Infelizmente, não sou tão optimista quanto os neo-naives eleitores americanos... Espero que sim...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Happy Thanksgiving!

Amor à Pátria e à Educação

Anoto e registo os novos sentimentos do nosso Primeiro-Ministro. O que vale é que é socialista, senão corria o risco de ser conotado com outras correntes e ideologias "menos democráticas"...

Ainda bem que sabemos gerir a crise com argumentos tão válidos e racionais.

O (des)Governo

É impressão minha ou o nosso PM consegue discursar todos os dias em eventos diferentes? E curiosamente, nunca sobre o evento em questão... Pergunto-me quanto tempo restará para governar o País nos intervalos das viagens e dos discursos... E ja agora, pergunto-me se a tal crise, que tantos advogam como a responsavel para tudo o que é negativo nas políticas implementadas (e insucesso das mesmas) deve ser gerida a partir dos pulpitos improvisados pelo staff de marketing do Governo...


terça-feira, novembro 25, 2008

Mesmo que com algum atraso

Cúmulo do mau timing

João Rendeiro apresenta livro: "Testemunho de um banqueiro - A história de quem venceu nos mercados".

Citigroup - the rise and fall

O Citigroup era desde ha muito considerado o maior gigante bancário do mundo. Um colosso financeiro, mais parecido com os famosos conglomerados japoneses, do que com um coerente projecto financeiro, chegou a um beco sem saída e o enorme risco sistémico empurrou o Governo Americano a intervir.

A queda superior a 60% em 3 dias e o perigo eminente de corrida aos depósitos levou a que os EUA injectassem 20 bln (totalizando 45bln USD) no capital do banco via acções preferenciais com cupao de 8%, assim como medidas de controlo da remuneração dos administradores e da política de dividendo (reduzido para 0,01 USD). Por outro lado, garantiu também as potenciais perdas nos activos de maior risco e assumiu parte dessas perdas.

Não é contudo uma nacionalização. As acções preferenciais permitem a saída do Estado do capital do Citi, via Call Options integradas nas tais acções preferenciais Tier I, que permitem ao banco chamar de volta as acções a par ao fim de alguns anos. Não obstante, este gigante saiu fragilizado do processo. Mas traçou claramente o plano de actuação do Governo americano, que não deixar o risco sistémico proliferar.

PS de Aveiro - estilhaçado

Com o sucessivo adiar da apresentação do candidato socialista (oficial) para a CM de Aveiro, o ex-presidente Alberto Souto apressa-se a tomar a dianteira (peso político?) e a assumir-se como alternativa, mesmo que tal se concretize no boletim de voto, como independente.

Não é de todo de espantar esta situação. Uma herança pesadíssima na CMA afasta os mais corajosos socialistas. E por outro lado, o "estranho"  processo eleitoral para a Distrital, onde questões processuais afastaram um dos candidatos alinhados com o Secretariado Nacional, tornam o cenário ainda menos propício a aventuras. 

A oposição não se entende. E isso também é mau para a democracia da cidade.

Tertúlias Académicas do ISCIA

Um convite irrecusável da Associação de Estudantes do ISCIA e do Migas, assim como a oportunidade de discutir livremente a problemática dos mercados financeiros e da já mais que falada "crise", levar-me-á na próxima sexta-feira 28 de Novembro as 21h30 ao ISCIA (Aveiro), onde terei o contra-peso do neo-keynesiano Raul Martins na discussão.

Convido, portanto, todos a participar.

VIX - a razao da ausência

De certo poucos sentiram a ausência de posts, mas a verdade é que a correlação negativa entre o VIX e o número de posts deste blog é cada vez maior. Com VIX a passar dos 80, posts aproximam-se violentamente de zero durante muito tempo. 

Agora, com (talvez) um bottom encontrado nos mercados, talvez possa voltar à frequência habitual. E há tanto para actualizar...

segunda-feira, setembro 29, 2008

O Plano era neo-liberal ou intervencionista?

Era para evitar risco sistémico. 

Mas republicanos votaram contra porque era intervencionista, e democratas votaram contra porque era pagar a ganancia de Wall St com dinheiro dos contribuintes.

Afinal o grande problema nao era o Neo-Liberalismo, foi mesmo a politica. Politica baixo nível. Rasteira. Alias, onde está sempre o problema: no Estado. O Estado que quis ter política social para incentivar quem nao podia a comprar casas; O Estado que nunca falou em ganancia quando entravam milhares de milhoes de impostos; O Estado que só regula quando interessa, o que interessa. A ganancia é uma emoção humana inevitável, que permitiu o crescimento espetacular do Mundo nos ultimos séculos. O Estado deveria regular. Quando faz mais que isso, faz asneira. Corrigir o problema é apenas corrigir os problemas que deixou criar.

Os contribuintes pagam a crise (II)

E ja agora, quem nao quis ter casa propria nos ultimos 20 anos ? 

Afinal todos fizemos a bolha. Agora aguentem-se.

Os contribuintes pagam a crise

Entao, pagam os mais ricos.

Ou será que o sistema progressivo de tributaçao so serve de desculpa para solidariedade social quando interessa?

E ja agora, quem tem contruido mais para os impostos do Estado ? Impostos sobre lucros, que levam impostos sobre mais valias em cima foram parar aonde ?


terça-feira, setembro 16, 2008

It's the economy, stupid !

Curiosas as reacções dos candidatos à Casa Branca à crise financeira.

O Republicano McCain defende que a AIG deve poder falir, e que Wall Street é um Casino gigante (esta ultima parte é uma frase celebre de Nick Leeson ). Curioso é que fez parte de um Governo que já salvou a Fannie Mae, a Freddie Mac, e o banco Bear Stearns... E depois, se a AIG falir, o que acontece ao "Casino" ? E à economia? E ja agora, o Presidente convem ser responsável, nao basta saber mais que George W. Bush.

Já o Democrata (e supostamente menos pro-capitalista) Barack Obama defende a intervenção do Estado na AIG. Mas curiosamente foi contra a intervenção do Estado na Lehman Bros. Ainda nao está no poder e já escolhe que agentes devem fazer o que e quando. Neste caso, quais sobreviverão. Curioso também que nao conseguiu ter uma visão sobre as GSEs Fannie Mae e Freddie Mac, cuja falência seriam, essas sim, extraordináriamente graves para todo o sistema de hipotecas dos EUA, e afectariam directamente os americanos. Obama também não percebeu que todos estes bancos e seguradoras estão a falir porque o Estado quis proporcionar casas proprias aos americanos. Disse, contudo, algo muito acertado hoje: as rating agencies nao servem para nada e devem ser revistas. Claro, o que falhou em tudo isto foi a regulação, e é isso que é preciso mudar.

Nenhum dos candidatos parece estar propriamente a par do que está a passar nem da gravidade da crise... O que vale é que sempre percebem mais disso que George Bush, cuja única aparição publica esta semana foi para falar de ... bolsas de estudo.

Humor Negro, nao fosse verdade

O Senhorio da Lehman Brothers em Canary Wharf em Londres tinha a renda assegurada pela...AIG!

A AIG

Dado o post abaixo, que dizer do possível falhanço da AIG?

Para já, que os perigos de risco sistémico é incomparavelmente maior, isto porque a AIG sempre foi tida como uma empresa segura e sólida, pelo que principalmente as suas obrigações em regra surgem nos portfolios. A dívida era notada como AAA, ou seja, o nível de rating mais alto.

Se a AIG falir, as obrigações mais seguras podem eventualmente pagar algo como apenas metade do seu valor facial (ou até menos).

Quanto aos seguros, em regra estes são assegurados pelo regulador, pelo que este parece ser o menor dos problemas ligado à AIG...

A Liquidação da Lehman

É necessário esclarecer porquê os bancos podem eventualmente estar expostos à Lehman e a sua falência (discutiremos a AIG mais tarde) e acima de tudo, a que níveis.

Assim, há obviamente a exposição directa a acções, que obviamente vale zero (ou perto disso hoje, enquanto nao é decretada falencia oficialmente).

Pode também haver exposição à dívida titulada da Lehman, e aqui convem esclarecer melhor que tipo de dívída existe. Em caso de liquidação de uma empresa (como acontece na Lehman), os activos devem cobrir os passivos segundo uma certa ordem: primeiro deverão ser ressarcidos os detentores de dívida senior, depois os detentores de dívida subordinada (e aqui inclui-se as chamadas acções preferenciais, subordinadas a toda a restante dívida) e so no fim destes credores é que os accionistas podem receber o remanescente, se houver. No caso da Lehman, tanto os accionistas, como os detentores de dívida subordinada nao terão direito a absolutamente nada. E mesmo os detentores de dívida senior, apenas receberam (estima-se) 25 a 35% do par (notional do valor titulado na dívida).

Por último, surge a exposição à Lehman via contra-parte, isto é, acordos normalmente usados nos instrumentos derivados, onde ha habitualmente apenas troca de cash flows e nao troca de notional (por vezes, haverá tambem obrigatoriedade de colaterais, consoante o instrumento derivado). Este tipo de exposição normalmente nao entra na contabilização da liquidação, e sao desfeitos antes da falencia oficial. Provavelmente este tipo de exposição gerará perdas bem mais ligeiras que os outros tipos de exposição acima mencionados.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Ultimo Capitulo da Lehman: o XI

Ja ha muito se desenhava este cenario, embora fosse o mais catastrofico e menos desejavel para todos: a falência da Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos EUA, com 158 anos de história, sobrevivendo a crises dos caminhos de ferro, à grande depressão, ao crash de 1987 e a crises financeiras como a S&L e a falência da LTM.

Contudo, foi o fim para a Lehman. Hoje os empregados viram os seus emails vedados, e muitos deles empacotaram os seus pertences. A desilusao era enorme. A grande maioria, nem o salário deste mês vai receber. Salas inteiras vazias, milhares de subito no desemprego. E um arranha-céus a 100 m de Times Square (comprado ha 7 anos por 600 milhoes USD e avaliado em mais de 1000 milhoes) com dezenas de andares.

O fim-de-semana foi longo. Barclays e Bank of America perfilavam se como possíveis compradores, tudo gerido e apadrinhado pelo Fed, que contudo nao queria e nao iria contribuir para aumentar o risco moral de salvar mais uma empresa privada. E assim aconteceu. So que nenhum dos bidders avançou para o deal. 

O Bank of America preferiu comprar (fusionou-se) com a Merrill Lynch (o terceiro maior banco de investimento americano e também ha muito tempo em situação muito dificil), e o Barclays nao chegou a acordo com o Fed para as condiçoes de compra, nomeadamente quanto à manutenção das perdas do portfolio de crédito da Lehman.

E assim, na madrugada de ontem, a Lehman Brothers - o banco criado por emigrantes judeus para transaccionar contratos de algodão ha 158 anos - fez "Chapter 11". 

Desta vez nao houve intervenção do Estado nem dos contribuintes. Acabou o moral hazard. Será ?

domingo, setembro 14, 2008

Sobre Rui Pereira...


...apenas uma pergunta:

Como é possível ainda ser Ministro da Republica Portuguesa !?

Aposto que a resposta tem a palavra "Maçonaria" incluída.

Gordon Brown em maus lençois


O sucessor de Blair como PM no Reino Unido está em maus lençois para manter a sua cadeira do poder.

Depois de rejeitar eleiçoes antecipadas no reino logo após a sucessão a Blair pelas sondagens darem larga vantagem aos Tories, e depois de falhar como Primeiro-Ministro os objectivos de crescimento económico traçados por ele próprio mas como Chancellor of the Exchequer, eis senão que agora é o proprio Partido que pede a sua substituição.

Com o aproximar das eleições e com os Tories de Cameron ainda em vantagem, são muitos os MPs de Brown que conspiram para pedir congresso para a sua substituição.

Vida difícil portanto para os Socialistas no Reino Unido, cuja aura de Blair (que soube sair em alta) mostra agora como foram inócuas as suas políticas, e da fragilidade do tipo de actuação que tantos gostam de comparar a Socrates por cá. 

Vai ser uma hard landing para a economia e para os britânicos. Mas enquanto Blair estava no poder, o marketing e a imagem tudo escondiam...

sábado, setembro 13, 2008

Credit Crunch continua: o pico da crise (??)


Eis que surgem os proximos alvos do mercado: a seguradora AIG e o banco Washington Mutual.

A AIG é uma das maiores seguradoras do mundo, no entanto acumulou um portfolio superior a 700bn USD de mortgages e agora prepara-se para sofrer a pressao do mercado para resolver o problema em balanço. Ou vende os activos toxicos, ou arranja novo capital para cobrir as margin calls relacionadas com as perdas desse portfolio.

Por outro lado, também o banco comercial Washington Mutual vive dias dificeis. Mais uma vez, as posiçoes relacionadas com o mercado hipotecario estão no centro do problema. A solução apontada passa obviamente por aumento de capital, mas também pela venda de activos, nomeadamente depositos e outros titulos que permitam encaixe rapido de liquidez.

E a todo o momento espera-se a soluçao para a Lehman Brothers, cuja venda é nesta altura incontornavel.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Lehman... sobrevive mais um dia...amanha logo se ve

A Lehman ainda nao foi hoje que deixou de existir tal como a conhecemos ha quase 150 anos. Apesar de mais um dia fortemente pressionada, tanto ao nivel do preço da acção, como acima de tudo ao nivel do board, sobreviveu mais um dia.

Certo é que depois de hoje, nada será igual para a Lehman. As alternativas sao muitas, mas poucas agradaveis.

Ou é dilacerada em varios negocios e vendida separadamente; ou arranja rapidamente comprador solido que permita robustez no balanço; ou continua sentada no monte de liquidez que detem actualmente, e tenta aguentar a onda, sendo que a cada dia que passa o seu franchising diminui drasticamente de valor.

Tambem me parece evidente que dificilmente a Lehman pode simplesmente "falir" ou entrar em Chapter 11. O risco sistémico associado é terrivelmente superior ao da falência da Bear Stearns (relembro que a Bear Stearns nao faliu, foi comprada pela JP Morgan com financiamento da Fed).

Por outro lado, isto só vem comprovar da eficiencia do mercado, que pune severamente quem comete erros graves, como a compra de activos de risco elevado mas mais avaliado.

E se pensarmos em Portugal...será que quem comete erros é punido pelo mercado ?

Rentrée do CDS-PP em Aveiro

Aí está o novo ano político. Depois de férias que se querem revitalizadoras, mas também cheias de reflexão, eis que o circo político está de volta.

O Bloco não pára, e portanto, nem voltou. O problema é que parece que nunca se vai embora, apesar de acrescentar zero à qualidade política.

O PCP vem sempre com a força do Avante, mas não gosta de ser fiscalizado nas contas; isso são coisas de capitalistas porcos.

O PS veio com a brilhante ideia da coisa pública. Ainda bem que vão estuda-la, porque até agora só souberam esbanja-la. Respublica, eis o próximo centro de emprego socialista. A fila ja está à porta da sede em Belém.

O PSD...bem...nem sei que diga... São tantos a querer marcar a abertura do ano político, que nem sei se começaram o ano político nas Universidades de Verão, na Sic Notícias ou no Comentário Semanal do Professor Marcelo...

E para nao ser acusado de só dizer mal dos outros, também o CDS-PP quis marcar a abertura do ano político com um acontecimento do ano passado. Ninguem deu por ela, mas o Dr Nobre Guedes parece ter abandonado a Vice-Presidencia do Partido e não avisou. Ninguem avisou. Mas também ninguem deu pela falta...

Mas como é preciso uma reentrada formal, este Sábado o CDS-PP fará a sua Rentrée oficial, desta vez em Aveiro. Porque o CDS-PP é parte de Aveiro e Aveiro é parte do CDS-PP. Independentemente de quem lidera.

Ai Teixeira...valha-nos os Santos...

O nosso Ministro das Finanças veio hoje afirmar que o Governo nao pode estar todos os dias a actualizar as previsoes de crescimento e de inflação portugueses.

Muito bem.

Eu diria que se acertassem (ou pelo menos poupassem no show off...) nao as teriam de fazer...

Nao deem mais ideias aos Socialistas...

Agora o Governo Norte-Americano planeia implementar um incentivo de 25bn USD / ano para ajudar as contructoras de automóveis americanas a mudarem a tecnologia usada nos carros, isto é, para produzirem carros menos poluentes. A ideia na Europa parece usual, tal é a frequencia com que os governos a usam a custo dos contribuintes, sem olhar a regras de concorrencia desleal, mas nos EUA é algo de raro.

Tudo nao parece passar de mais um incentivo estatal encapotado, que servirá para cobrir as perdas do sector (lideradas pela GM e Ford) que acumularam so este ano cerca de 26 bn USD de losses fruto da conjugação de dois factores fundamentais para a industria automóvel: o crédit crunch (que também afectou os auto loans, não se restringiu às mortgages) e a subida do preço do crude oil... É obvio que o mercado nao se queixa quando ve entrar free cash no sistema, mas nao deixa de ser mais uma medida populista daquele que deve ser provavelmente o pior Governo da História dos EUA.

E Novembro que nunca mais chega... (e nem sequer acho que a solução passe por Obama...basta deixar de ser Bush...)

terça-feira, setembro 09, 2008

Estados Socialistas da América

Chamam-lhe o fim do Neo-Liberalismo. Chamam-lhe a implosão de uma ideologia. Riem-se com a tragédia de milhões de americanos, e com o fim da política social dos EUA como hoje a conhecemos. Talvez... Talvez não.

Precisamente o contrário. Esta é a prova cabal das contrariedades da política intervencionista do Estado. Antes e depois do bailout da Fannie Mae e Freddie Mac. 

O antes. 

Depois da Grande Depressão, os EUA decidiram criar a Fannie Mae. E depois a Freddie Mac, criada em 1970, em tempo de fraco crescimento económico. Intervenção do Estado que permitiu injectar liquidez no mercado e acelerar o processo de recuperação económica. Resultado: faliu em ruptura e incapacidade de se manter em economia livre; pagam os contribuintes. Neste caso, pagam os actuais contribuintes pelo bem dos contribuintes passados. Nao passou de impostos diferidos no tempo.

Mais. Depois das crises petroliferas dos anos 70 e da recessão do fim dos anos 80, o Governo Norte-Americano decide potenciar o ambito de acção das chamadas GSE (government sponsored enterprises) - leia-se, organizações cujo financiamento é pago pelos contribuintes -, para permitir que todos os americanos possam possuir casa propria. Mesmo que nao tenham condições económicas para o fazer. (Soa a socialismo, não?). Estas organizações, dado o apoio implicito de governo americano, permitem-se assegurar e mesmo securitizar mortgages e empacota-las em novos activos vendidos com uma margem, lucro para as Fannie e Freddie. Tradução: contribuintes pagam para ter uma entidade que tome os depositos de todos (mesmo os que nao deviam poder pedir emprestimos) e torne esses emprestimos um risco de todos. 

Contudo, estas GSEs nao eram empresas publicas. Os accionistas eram privados. Podiam investir (se quisessem) neste modelo de securitização, baseado no Estado. Mas o Governo so garantia a dívida. 

Como já tinha aqui dito em posts anteriores, nao era garantido que os investidores (chamem-lhe especuldores, ou o que quiserem) se salvassem em caso de bailout. E assim aconteceu. Ou seja, os "odiosos" especuladores perderam o seu investimento, e os contribuintes vão continuar a pagar para que todos tenham casa propria. Mesmo que nao queiram.

O Depois.

O Tesouro americano decidiu tomar firme (ou pelo menos ter a opção de tomar firme) as duas GSEs este domingo. Na prática, o Governo vai entrar como credor das GSEs em Preferred Stock (com seniority a todas as outras Preferred Stocks), o que apenas significa que garante (como já garantia) a dívida senior das GSEs e que toda a divida subordinada às Preferred Stock onde o Tesouro se coloca, provavelmente valerá muito pouco (ou mesmo zero).  [ convem aqui referir que preferred stock é um hibrido entre equity e dívida. funciona como uma acção, mas o pagamento de dividendos aproxima-se ao cupão de uma obrigação de dívida. Em caso de liquidação de uma empresa, apenas terá direito a reembolso de capital após a totalidade dos detentores de dívida senior serem reembolsados. Da mesma forma, os detentores de equity (acções) so receberão apos todos os detentores de divida senior e preferred stock serem reembolsados]

Traduzindo: os contribuintes garantem injectar 200 billion (200 mil milhoes) de USD se as GSE nao conseguirem sobrevivier. Vao pagar para alguns contribuintes nao perderem a sua casa.

Ora, tudo isto me parece tudo menos liberalismo económico. Não estou a alegar que os EUA nao sao um Estado liberal. Estou antes a alegar que, devido a pressões várias (há eleiçoes em Novembro...), o Governo americano abdica dos seus ideiais. E como a Historia sempre veio a confirmar, comete erros quando o faz.

Os contribuintes nao deviam ter que pagar para que quem nao podia ter créditos, os continue a ter, so para nao perder a casa que nunca devia ter tido. Os contribuintes nao deviam ter que pagar para salvar empresas publicas, feitas com bases erradas. Os contribuintes nao devem ter que pagar para ter show off pre-eleitoral (va lá que nao se lembraram de formar uma "Fundação Republicana para pensar na coisa pública...).

As GSE deviam ter falido. Com todas as consequencias que isso poderia acarretar. O mercado sempre sobreviveria. Provavelmente melhor do que sobrevive depois disto, porque esta intervenção abre brechas, o chamado risco moral: se se salva uma, ou duas, porque nao todas?


Lehman Bros.: e agora?


No contexto da dificuldade do sector bancário e financeiro dos EUA, surge mais uma possível vítima no horizonte.

Foram já vários os dias no último ano em que esteve na agenda do dia o possível chapter 11 da Lehman, mas hoje essa possibilidade foi ainda mais forte, depois de uma queda de mais de 40% na valorização na sessão de hoje.

Depois do colapso da Bear Stearns e da Northern Rock (entre muitos outros menos conhecidos e de menor dimensão), a notícia de hoje que dava a conhecer o fim das negociações do banco de investimento americano com um fundo koreano para a venda do departamento de investment management (ou qualquer outra forma de entrada no capital da Lehman), as acções entraram em queda livre.

A Lehman Brothers é um dos bancos de investimento mais proeminentes de Wall St, e inclui(a)-se nos 5 maiores dos EUA.

Muitos foram os rumores no último ano que a sua capacidade de financiamento e acima de tudo a sua liquidez estariam seriamente afectadas pelas perdas no portfolio de crédito hipotecário e consequente incapacidade de reforçar capital, e repor os rácios. Todavia, sempre as notícias de falta de liquidez foram rejeitadas.

Ainda hoje, é possível que a Lehman Bros. detenha liquidez suficiente para enfrentar o mercado, mas será suficiente para sobreviver à pressão dos agentes que todos os dias apostam na sua falência ?

sexta-feira, setembro 05, 2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

US Elections: os VPs

Agora que as eleiçoes norte-americanas entram na recta final, surgem finalmente os nomes para a Vice-Presidência. "100 milhões de americanos escolhem o Presidente, apenas um escolhe o Vice-Presidente".

Depois do verdadeiro circo mediático que consistiu a Convençao Democrática, com um festival digno de uma produçao de Ediberto Lima, onde perfilaram as estrelas do Partido: Michelle (a esposa), Hilary (a opositora), Bill (o marido infiel da opositora e former President), Biden (o Vice) e por fim Obama (o próprio), aguarda-se a Convençao Republicana.

Já é conhecida a nomeada para VP, assim como a reduçao do circo republicano ao minimo essencial (ja está confirmada a ausencia de George W. Bush... que conveniente!) devido a eventuais medidas de emergencia devido à passagem do Gustav. Nesta altura ja se sabe que muito provavelmente nao será tao grave quanto antecipado.

Um verdadeiro furacao está a retirar protagonismo aos candidatos. Convem em todo caso perceber melhor o que cada um dos candidatos e VPs apresentam. (to follow up)

terça-feira, agosto 26, 2008

A segurança do País: brandos costumes!?

Uma agencia do BES foi alvo de um assalto ao estilo sul-americano e conclusao hollywoodesca. A escalada de violência em Portugal é notória, e a inércia - que não verbal - do Ministro da Admin. Interna inequivoca.

Não é contudo o Ministro o maior alvo de crítica. Ja se sabe que as polícias estão mal preparadas para prevenir o crime, que a falta de condiçoes para acolher tamanho numero de imigrantes e a revolta da segunda geraçao sao problemas graves que Portugal nunca esteve à altura.

E convem acrescentar que ao elevadíssimo nível de profissionalismo dos GOE, cuja actuação foi - essa sim - verdadeiramente preventiva, a acutilancia e rapidez da operação merece todos os aplausos. Alias, so com acçoes em que o Estado defende realmente a legalidade (e invoco aqui a defesa da vida dos refens) é que será possível conter a crescente onda de criminalidade.

O problema é, no entanto, o próprio Estado. Com uma actuação meritória neste caso, as primeiras reacções sao de interrogação face à actuação da polícia. Em caso posterior, em que também houve uso de armas de fogo (e acidentalmente uma criança levada para um assalto foi atingida) eis senão que se erguem imediatamente vozes sobre o uso excessivo de força. E deixa de ser questionada a violencia e acções contra a lei, e é discutida a forma (que ja de si é insuficiente) como combater as infracções. Enfraquece a legalidade do Estado e a propria confiança das forças policias. Ridiculo, portanto.

Ah, e Neo-Liberalismo contempla a manutenção da Segurança como um dos grandes (e poucos pilares) que deverão continuar na tutela do Estado. Pena é que aqueles que avogam a defesa da liberdade considerem a Segurança uma ameaça. A esquerda continua com os mesmo complexos de sempre. Sem segurança não ha legalidade nem liberdade.

CGD: convem nao deixar passar

Apesar de ja se ter passado ha algumas semanas, convem nao deixar passar - e digo convém, porque é do interesse de todos os contribuintes - as movimentaçoes do Governo na Caixa Geral de Depósitos.

Depois de receber dividendos de cerca de 350 Milhoes de Euros, a CGD precisou de um aumento de capital de 400 Milhoes. Curioso. Diria que o accionista único é o mesmo que poe e tira. Curiosamente o Estado. Curiosamente, aquele que mais benificia desta artimanha contabilistica.

Em termos liquidos, apesar de parecer zero, é bem pior. Porque é normal a CGD pagar dividendos ao Estado. Mas 400 milhoes de aumento de capital...nem por isso. Não há problema. Pagamos nós.

Back !

Eis que para a temor de muitos, estou de volta!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Causa e consequencia

A actividade partidária e política deve reger-se por princípios éticos e morais, pela honestidade e integridade. Não se pode - sob pena de total incoerência - usar-se de dois pesos e duas medidas para avaliar as situações, mesmo que seja julgamento em caso próprio.

O líder da CPC de Aveiro do CDS-PP tem vindo a insurgir-se, desde a sua tomada de posse e com muitos recuos, contra as decisões e posições de vários elementos que constituem o Executivo Camarário que, aliás, apoiou nas últimas Eleições Autarquicas. Esta viragem política, apesar das muitas hesitações, culminou no pedido de demissão do Vereador das Finanças Pedro Ferreira, caso o empréstimo não fosse aprovado pelo Tribunal de Contas.

Ora, sempre defendi que a coerência e ética política devem imperar. A aprovação do TC constitui uma derrota política do líder da CPC de Aveiro do CDS-PP. Não é possivel em política exigir-se reacções a derrotas sem também as tomar em caso próprio. E não é possível recuar nas graves declarações por si proferidas.

Entendo que na actual conjuntura, e tendo em atenção que as relações institucionais de lealdade do actual líder da CPC de Aveiro do CDS-PP para com a coligação que apoiou para ser eleito vogal da Assembleia Municipal de Aveiro, assim como para com o próprio Executivo - do qual fazem parte dois distintos militantes do CDS-PP -, estão feridas de morte.

Concluo, portanto, como militante do CDS-PP de Aveiro, que o actual líder da CPC de Aveiro do CDS-PP deixou de reunir as condições políticas necessárias para o exercício do cargo para o qual foi eleito. Por manifesta falta de sentido de Estado e lealdade. E acima de tudo por manifesta inabilidade política.

Carlos Martins
Militante do CDS-PP de Aveiro

Emprestimo aprovado

O TC decidiu favoravelmente ao pedido de emprestimo da CM de Aveiro esta Sexta-Feira. Tal como vinha sendo adiantado aqui no Blog, a aprovaçao concretizou-se. Agora é que começa o real problema: aplicar de forma comedida, séria, competente e racional o folego financeiro que é permitido.

Não se deve, portanto, embandeirar em arco, e refuto qualquer celebraçao no momento. O momento é de tal forma grave que foi necessário um emprestimo de "last resort" ao Estado.

O Plano apresentado deve, portanto, para o bem e para o mal ser aplicado ao milimetro, sem desvios e sem incompetências.

Para já, o PS sai derrotado tres vezes:

1. Criou a divida e nada sugiriu para resolve-la;

2. Apoiou a primeira tentativa de aprovaçao ao TC, e foi rejeitado;

3. Foi contra a segunda tentativa de aprovaçao, e foi mesmo aprovado.

Cada tiro cada melro ! (ou será andorinha?)

terça-feira, julho 29, 2008

Iberia e British Airways preparam fusao. E agora TAP?

A espanhola Iberia e a britanica British Airways vai encetar conversaçoes para se fusionarem (sim, nao é "fundirem").

Para alem dos obvios ganhos de sinergias (inumeros avioes vai poder ficar parados), ha toda uma gestao de frotas, pilotos e trabalhadores, assim como de optimizaçao de recursos em dois dos maiores aeroportos da Europa (Barajas Madrid e Heathrow Londres).

Neste contexto, e nao esquecendo que a Iberia vinha ja ganhando inumera força na peninsula iberica fruto da agressiva politica de voos para a Europa, ganha agora mais poder naquele que vem sendo a sua grande aposta: os percursos sul-americanos, onde a TAP vinha tendo grandes esperanças.

Com o fim dos hedges para o preço do petroleo (desde ha um ano...) e a manter-se assim (nao é o que apostaria, mas é um cenário...), as dificuldades para a transportadora portuguesa so podem aumentar...

Qual é a validade de um iogurte ?

EMA: o buraco sem fundo

Sejamos realistas, o Estadio Municipal de Aveiro, EM foi uma empresa criada com o unico intuito de retirar passivo do balanço da CM Aveiro e poupar alguns trocos com o IVA.

A EMA nao tem qualquer poder de encaixe financeiro, nem soluçao possível. Nao é uma empresa no verdadeiro sentido da palavra, é um sorvedouro de fundos publicos, como tantos ha por aí.

Ja pouco importa quem criou o problema (ate porque nao o vai resolver), embora fosse importante que esses tivessem mais decoro e uma atitude mais responsavel.

Nao vou invocar o argumento facil (apesar de verdadeiro) que não aprovei em sede propria com o meu voto a sua construçao. Ser-me-ia de facto dificil naquela altura ver o Euro2004 partir para Viseu.

Mas a verdade é que muitos destes problemas eram possiveis de antever na altura e nao foram convenientemente acautelados. Toda a construçao e planeamento do estádio foi errada e teve o consentimento dos responsaveis de então. O estádio foi construído sem o minimo cuidado para ser rentavel. As infraestruturas sao debeis, pouco resistentes. Os materiais (mais do que de duvidoso gosto) pereciveis. As areas nao sao funcionais, e mesmo aquelas para as quais foi planeado um uso rentavel, nao foi acautelado questoes tao simples como...janelas, ou pilares. Enfim, todo um desastre arquitectónico. Uma verdadeira taveirada...

Agora resta pagar...e durante muito tempo.

Soluçoes?

1. Obvio que se houver algum desalmado suficientemente inconsciente para pagar a concessao de tal elefante colorido, entao força !

2. Nao desaprovaria a junçao de todas as empresas municipais de aveiro (com excepçao do TA, por nao se enquadrar a meu ver naquilo que deve ser a rede de empresas publicas municipais, dado o seu fim muito especifico e delicado). Esta sinergia poderia mesmo criar condiçoes para que houvesse investimento no Estádio por forma a poder tornar-se, se nao rentavel, no minimo menos oneroso.

3. A minha soluçao preferida embora utopica: englobar toda a divida da EMA e vender sob a forma de obrigaçoes municipais aos municipes a uma respectiva taxa de juro conveniente com o nivel de risco de default da CMA. Esta taxa a meu ver nunca poderia ser inferior a 15% ( 10% acima da taxa de juro sem risco). Obrigaria a tomar medidas e soluçoes. Implicava controlo da populaçao sobre toda a actividade. Impediria divisoes entre clube residente e cidade.

Merrill Lynch limpa balanço

Ontem ao fecho do mercado americano o banco Merrill Lynch (ML) anunciou um aumento de capital de 8,5 bn USD assim como a venda de 30,6 bn USD (par value) de CDOs (collaterized debt obligations) a 22 centimos de dollar do par, ou seja, praticamente reduzindo a zero a sua exposiçao a este tipo de activos que está actualmente no centro de toda a crise financeira.

A ML tinha anunciado resultados ha cerca de duas semanas e tinha estes activos avaliados no seu balanço a cerca de 35 centimos de dollar.

A enorme desvalorizaçao dos CDOs resulta de defaults nas hipotecas (assim como no aumento da probabilidade de default descontado pelo mercado para os proximos tempos). Com o preço das casas nos EUA ainda a baixar e a divida dos particulares nos maximos dos preços desses activos imobiliarios, restam poucas soluçoes senao entregar a casa, e aos bancos que detem direitos sobre essas dividas fazer a foreclosure e encaixar a (enorme) perda.

Talvez seja este o principio do fim da crise, mas acima de tudo, o inicio de uma nova realidade no mundo financeiro.