domingo, setembro 09, 2007
Ficamos mais descansados...
...Marques Mendes vai voltar a ser cabeça de lista do PSD por Aveiro em 2009...
A obscenidade do óbvio
"Oficialmente, Dalai Lama não é recebido por responsáveis do Governo português, como é óbvio"
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado.
Óbvio porque Portugal concorda com a ocupação pela ditadura chinesa do Tibete, ou óbvio que nos curvemos perante a China, esquecendo todos os princípios democráticos e "valores de Abril" que a esquerda tanto apregoa?
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado.
Óbvio porque Portugal concorda com a ocupação pela ditadura chinesa do Tibete, ou óbvio que nos curvemos perante a China, esquecendo todos os princípios democráticos e "valores de Abril" que a esquerda tanto apregoa?
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sábado, setembro 08, 2007
Avante camaradas!
Segundo notícias dos meios de comunicação social - por isso não fui eu que inventei! -, na Festa do Avante em nenhum restaurante é possível ter direito a recibo. Estado? Só se for para receber subsídios! Impostos ? É para os ricos ! Moralidade? Só a nossa!
Rídiculo. Embaraçoso. Bolchevique.
Rídiculo. Embaraçoso. Bolchevique.
Colecção Outono/Inverno
Novo look, blog oficialmente activo, se é que algum dia deixou de estar. Para os que gostam e para os que não gostam, enfim, para todos os que visitam.
sexta-feira, setembro 07, 2007
EuroBasket: Portugal passa à fase seguinte!
Surpreendentemente, a selecção nacional de basquetebol passou á fase seguinte do Europeu a decorrer em Sevilha. Após uma brilhante vitória frente à Letónia ainda que per se insuficiente para assegurar de imediato a passagem à proxima fase, a milagrosa derrota da campeã do mundo Espanha - com varios elementos a brilharem na NBA -, frente á Croácia, permitiu a Portugal fazer história.
Uma palavra especial para Paulo Cunha, que após problemas de saúde, conseguiu voltar à alta competição no seu mais alto nível.
Uma palavra especial para Paulo Cunha, que após problemas de saúde, conseguiu voltar à alta competição no seu mais alto nível.
Trichet nao mexe na taxa de juro da zona Euro
Por muito duro que possa ser para os detentores de créditos à habitação, a verdade é que esta "não mexida" por parte de Jean-Claude Trichet na taxa de juro de referência não pode ser bom sinal.
Todos sabem que o ECB pouco ou nada liga ao facto dos mercados financeiros estarem a sofrer fortes turbulência, e que o seu único objectivo é manter a estabilidade de preços no longo prazo. Logo, esta crise do subprime americano está de facto a perturbar o crescimento da economia europeia, pelo que não serão melhores dias o que aí virão. Resta saber o que preferem os portugueses: crescimento economico da zona euro, com progressivos aumentos de taxa de juro, ou em alternativa, fraco crescimento, sem inflação, sem aumento das prestações, mas com maiores dificuldades das empresas, logo perigo de mais desemprego e menores possibilidades de auferir melhores rendimentos ?
Todos sabem que o ECB pouco ou nada liga ao facto dos mercados financeiros estarem a sofrer fortes turbulência, e que o seu único objectivo é manter a estabilidade de preços no longo prazo. Logo, esta crise do subprime americano está de facto a perturbar o crescimento da economia europeia, pelo que não serão melhores dias o que aí virão. Resta saber o que preferem os portugueses: crescimento economico da zona euro, com progressivos aumentos de taxa de juro, ou em alternativa, fraco crescimento, sem inflação, sem aumento das prestações, mas com maiores dificuldades das empresas, logo perigo de mais desemprego e menores possibilidades de auferir melhores rendimentos ?
quarta-feira, setembro 05, 2007
Caetano Alves novo vereador da CM Aveiro
Devido à suspensao de mandato do vereador Jorge Greno, a CM de Aveiro vê agora o Prof. Doutor Caetano Alves assumir funções.
Se é certo que Jorge Greno é (quase) consensualmente considerado o melhor vereador que passou pela edilidade nos ultimos tempos (leia-se decada), a discussão agora nem sequer reside na eventual (para mim, certa) falta que irá fazer este valioso quadro que tanto emprestou à cidade no apesar de tudo curto espaço de tempo que esteve em funções.
Nem sequer os críticos se sentem compelidos a congratularem-se ou no mínimo considerarem importante que alguem com o curriculo e capacidade intelectual do Prof. Doutor Caetano Alves pode igualmente emprestar à cidade. Não. É preferível criar críticas avulsas e mesquinhas a outras funções que exerce no Clube mais emblemático da cidade e da região. Nem tão pouco que um quadro tao valioso decida dedicar uma fatia importante do seu tempo à cidade, quando há claramente uma falta tão grande de capacidade intelectual na política em geral e muito especialmente nas autarquias. E não é por acaso: muita mesquinhice e pouco ou nenhum reconhecimento, para alem de mais problemas que soluções e agradecimentos, são pouco convidativos a quem tem melhores oportunidades noutros lugares.
Se é certo que Jorge Greno é (quase) consensualmente considerado o melhor vereador que passou pela edilidade nos ultimos tempos (leia-se decada), a discussão agora nem sequer reside na eventual (para mim, certa) falta que irá fazer este valioso quadro que tanto emprestou à cidade no apesar de tudo curto espaço de tempo que esteve em funções.
Nem sequer os críticos se sentem compelidos a congratularem-se ou no mínimo considerarem importante que alguem com o curriculo e capacidade intelectual do Prof. Doutor Caetano Alves pode igualmente emprestar à cidade. Não. É preferível criar críticas avulsas e mesquinhas a outras funções que exerce no Clube mais emblemático da cidade e da região. Nem tão pouco que um quadro tao valioso decida dedicar uma fatia importante do seu tempo à cidade, quando há claramente uma falta tão grande de capacidade intelectual na política em geral e muito especialmente nas autarquias. E não é por acaso: muita mesquinhice e pouco ou nenhum reconhecimento, para alem de mais problemas que soluções e agradecimentos, são pouco convidativos a quem tem melhores oportunidades noutros lugares.
A ler: opinião de um rico que já nao quer emprestar dinheiro a pobres
«A Wall Street Trader Draws Some Subprime Lessons: Michael Lewis
2007-09-05 00:05 (New York)
Commentary by Michael Lewis
Sept. 5 (Bloomberg) -- So right after the Bear Stearns funds blew up, I had a thought: This is what happens when you lend money to poor people. Don't get me wrong: I have nothing personally against the poor. To my knowledge, I have nothing personally to do with the poor at all. It's not personal when a guy cuts your grass: that's business. He does what you say, you pay him. But you don't pay him in advance: That would be finance. And finance is one thing you should never engage in with the poor. (By poor, I mean anyone who the SEC wouldn't allow to invest in my hedge fund.)
That's the biggest lesson I've learned from the subprime crisis. Along the way, as these people have torpedoed my portfolio, I had some other thoughts about the poor. I'll share
them with you.
1) They're masters of public relations. I had no idea how my open-handedness could be made to look, after the fact. At the time I bought the subprime portfolio I thought: This is sort of like my way of giving something back. I didn't expect a profile in Philanthropy Today or anything like that. I mean, I bought at a discount. But I thought people would admire the Wall Street big shot who found a way to help the little guy. Sort of like a money doctor helping a sick person.
Then the little guy wheels around and gives me this financial enema. And I'm the one who gets crap in the papers! Everyone feels sorry for the poor, and no one feels sorry for me. Even
though it's my money! No good deed goes unpunished.
2) Poor people don't respect other people's money in the way money deserves to be respected.
Call me a romantic: I want everyone to have a shot at the American dream. Even people who haven't earned it. I did everything I could so that these schlubs could at least own their own place. The media is now making my generosity out to be some kind of scandal. Teaser rates weren't a scandal. Teaser rates were a sign of misplaced trust: I trusted these people to
get their teams of lawyers to vet anything before they signed it. Turns out, if you're poor, you don't need to pay lawyers. You don't like the deal you just wave your hands in the air and
moan about how poor you are. Then you default.
3) I've grown out of touch with ``poor culture.'' Hard to say when this happened; it might have been when I stopped flying commercial. Or maybe it was when I gave up the bleacher seats and got the suite. But the first rule in this business is to know the people you're in business with, and I broke it. People complain about the rich getting richer and the poor being left behind. Is it any wonder? Look at them! Did it ever occur to even one of them that they might pay me back by
WORKING HARDER? I don't think so. But as I say, it was my fault, for not studying the poor
more closely before I lent them the money. When the only time you've ever seen a lion is in his cage in the zoo, you start thinking of him as a pet cat. You forget that he wants to eat
you.
4) Our society is really, really hostile to success. At the same time it's shockingly indulgent of poor people.
A Republican president now wants to bail them out! I have a different solution. Debtors' prison is obviously a little too retro, and besides that it would just use more taxpayers' money. But the poor could work off their debts. All over Greenwich I see lawns to be mowed, houses to be painted, sports cars to be tuned up. Some of these poor people must have skills. The ones
that don't could be trained to do some of the less skilled labor -- say, working as clowns at rich kids' birthday parties. They could even have an act: put them in clown suits and see how many
can be stuffed into a Maybach. It'd be like the circus, only better.
Transporting entire neighborhoods of poor people to upper Manhattan and lower Connecticut might seem impractical. It's not: Mexico does this sort of thing routinely. And in the long
run it might be for the good of poor people. If the consequences were more serious, maybe they wouldn't stay poor.
5) I think it's time we all become more realistic about letting the poor anywhere near Wall Street.
Lending money to poor countries was a bad idea: Does it make any more sense to lend money to poor people? They don't even have mineral rights! There's a reason the rich aren't getting richer as fast as they should: they keep getting tangled up with the poor. It's unrealistic to say that Wall Street should cut itself off entirely from poor -- or, if you will, ``mainstream'' --
culture. As I say, I'll still do business with the masses. But I'll only engage in their finances if they can clump themselves together into a semblance of a rich person. I'll still accept pension fund money, for example. (Nothing under $50 million, please.) And I'm willing to finance the purchase of entire companies staffed basically with poor people. I did deals with Milken, before they broke him. I own some Blackstone. (Hang tough, Steve!)
But never again will I go one-on-one again with poor people. They're sharks.
(Michael Lewis is the author, most recently of ``The Blind Side,'' and is a columnist for Bloomberg News. The views he expresses are his own.)»
fonte: Bloomberg
2007-09-05 00:05 (New York)
Commentary by Michael Lewis
Sept. 5 (Bloomberg) -- So right after the Bear Stearns funds blew up, I had a thought: This is what happens when you lend money to poor people. Don't get me wrong: I have nothing personally against the poor. To my knowledge, I have nothing personally to do with the poor at all. It's not personal when a guy cuts your grass: that's business. He does what you say, you pay him. But you don't pay him in advance: That would be finance. And finance is one thing you should never engage in with the poor. (By poor, I mean anyone who the SEC wouldn't allow to invest in my hedge fund.)
That's the biggest lesson I've learned from the subprime crisis. Along the way, as these people have torpedoed my portfolio, I had some other thoughts about the poor. I'll share
them with you.
1) They're masters of public relations. I had no idea how my open-handedness could be made to look, after the fact. At the time I bought the subprime portfolio I thought: This is sort of like my way of giving something back. I didn't expect a profile in Philanthropy Today or anything like that. I mean, I bought at a discount. But I thought people would admire the Wall Street big shot who found a way to help the little guy. Sort of like a money doctor helping a sick person.
Then the little guy wheels around and gives me this financial enema. And I'm the one who gets crap in the papers! Everyone feels sorry for the poor, and no one feels sorry for me. Even
though it's my money! No good deed goes unpunished.
2) Poor people don't respect other people's money in the way money deserves to be respected.
Call me a romantic: I want everyone to have a shot at the American dream. Even people who haven't earned it. I did everything I could so that these schlubs could at least own their own place. The media is now making my generosity out to be some kind of scandal. Teaser rates weren't a scandal. Teaser rates were a sign of misplaced trust: I trusted these people to
get their teams of lawyers to vet anything before they signed it. Turns out, if you're poor, you don't need to pay lawyers. You don't like the deal you just wave your hands in the air and
moan about how poor you are. Then you default.
3) I've grown out of touch with ``poor culture.'' Hard to say when this happened; it might have been when I stopped flying commercial. Or maybe it was when I gave up the bleacher seats and got the suite. But the first rule in this business is to know the people you're in business with, and I broke it. People complain about the rich getting richer and the poor being left behind. Is it any wonder? Look at them! Did it ever occur to even one of them that they might pay me back by
WORKING HARDER? I don't think so. But as I say, it was my fault, for not studying the poor
more closely before I lent them the money. When the only time you've ever seen a lion is in his cage in the zoo, you start thinking of him as a pet cat. You forget that he wants to eat
you.
4) Our society is really, really hostile to success. At the same time it's shockingly indulgent of poor people.
A Republican president now wants to bail them out! I have a different solution. Debtors' prison is obviously a little too retro, and besides that it would just use more taxpayers' money. But the poor could work off their debts. All over Greenwich I see lawns to be mowed, houses to be painted, sports cars to be tuned up. Some of these poor people must have skills. The ones
that don't could be trained to do some of the less skilled labor -- say, working as clowns at rich kids' birthday parties. They could even have an act: put them in clown suits and see how many
can be stuffed into a Maybach. It'd be like the circus, only better.
Transporting entire neighborhoods of poor people to upper Manhattan and lower Connecticut might seem impractical. It's not: Mexico does this sort of thing routinely. And in the long
run it might be for the good of poor people. If the consequences were more serious, maybe they wouldn't stay poor.
5) I think it's time we all become more realistic about letting the poor anywhere near Wall Street.
Lending money to poor countries was a bad idea: Does it make any more sense to lend money to poor people? They don't even have mineral rights! There's a reason the rich aren't getting richer as fast as they should: they keep getting tangled up with the poor. It's unrealistic to say that Wall Street should cut itself off entirely from poor -- or, if you will, ``mainstream'' --
culture. As I say, I'll still do business with the masses. But I'll only engage in their finances if they can clump themselves together into a semblance of a rich person. I'll still accept pension fund money, for example. (Nothing under $50 million, please.) And I'm willing to finance the purchase of entire companies staffed basically with poor people. I did deals with Milken, before they broke him. I own some Blackstone. (Hang tough, Steve!)
But never again will I go one-on-one again with poor people. They're sharks.
(Michael Lewis is the author, most recently of ``The Blind Side,'' and is a columnist for Bloomberg News. The views he expresses are his own.)»
fonte: Bloomberg
segunda-feira, setembro 03, 2007
De volta à Reforma Agrária na Educação?
O governo insistiu hoje na obrigação por parte das editoras em fixar o preço dos manuais escolares, nao podendo estas implementar aumentos de preços acima da inflação. Por outras, palavras, é o governo que fixa o valor dos manuais. Nunca esquecendo que vivemos numa sociedade onde supostamente é a lei do mercado que determina a qualidade e qualidade, atraves do equilibrio no preço, e que nao obstante, a educação é um valor essencial para o Estado, nao me parece de todo que seja via fixação de preços que se va atingir o ponto ideal ao nivel dos custos dos manuais escolares. Isto porque o problema nao pode ser resolvido desta forma, impedindo a pouca concorrencia de funcionar. O problema é antes resolvido com coragem: ou seja, impedindo conluios entre editoras, pondo em causa poderes instalados destas. Isso sim, é viver numa economia de mercado, adulta, sabendo usar as ferramentas que disponibiliza ao Estado.
domingo, setembro 02, 2007
O subprime português
Agora que a palavra "subprime" já está no vocabulário comum da população europeia não-financeira - a franja com ligações ao mundo financeiro há muito que ja sabia da extensão deste problema -, importa esclarecer ainda muitos pontos.
Na Europa - salvo em Inglaterra, se bem que em moldes diferentes - não há a diferenciação por parte das instituições de crédito face ao nível de risco dos seus clientes, pelo menos de forma tão estratificada como nos EUA, onde como já se viu há uma especialização inclusivamente para a população com maiores dificuldades em adquirir credito. Nos EUA, portanto, esta franja da população consegue emprestimos, nomeadamente hipotecas a niveis de juro bastante elevados. Então e na Europa, principalmente em Portugal?
Bem, o caso por cá é diferente, se bem que na minha opinião igualmente grave. Por cá, os bancos terão sempre assegurado o accionar da garantia, como por exemplo o imovel, para fazer face a uma eventual falha no pagamento das prestações. Como aqui não é possivel ou não é usual pedir emprestimo a meio da hipoteca sobre o valor do imovel total, voltando a 100% de endividamento, o problema que originou o credit crunch nos EUA à partida por esta via não se poe.
A questão é que há muito que muitas famílias portuguesas recorrem a outras instituições de crédito para refinanciamento e empacotamento do crédito, alargando prazos, mesmo que tal signifique mais juros - o que é perfeitamente normal, dado o risco naturalmente assumido pela instituição de crédito -, e implique obviamente o estrangualmento da capacidade de endividamento ao máximo, para toda a vida. Sem possibilidade de novos créditos. Ora, aqui é que reside o maior problema: recurso a credito para resolver problema de dificuldade de pagamento de créditos. A crise por cá é dissimulada por esta via. Os bancos ditos tradicionais não se ressentem, porque as famílias recorrem a instituições de crédito especializadas, e estas também não se queixam, dado a elevada taxa que cobram estar preparada e a conseguir fazer face à percentagem de defaults. Parece tudo bem, excepto num ponto: as famílias.
Estas já não podem deixar de pagar como nos EUA, porque não é so a casa que está em jogo, já são todos os seus rendimentos futuros. O estrangulamento é já evidente em muitos casos, e mesmo assim não parece haver grande vontade de encetar mudanças de habitos de consumo e de recurso a crédito. Parece que a aprendizagem da população portuguesa foi demasiado rápida face à estabilidade de preços e consequente nivel baixo de juros da zona euro (e ainda se queixam da entrada para a moeda única !!!): o nível de juros históricamente baixos nao poderia durar para sempre. E se algum motivo há para o ECB elevar os juros, este é um deles, ou seja, o recurso desmesurado e irracional ao crédito. Infelizmente os portugueses vão aprender esta lição da pior maneira...
Na Europa - salvo em Inglaterra, se bem que em moldes diferentes - não há a diferenciação por parte das instituições de crédito face ao nível de risco dos seus clientes, pelo menos de forma tão estratificada como nos EUA, onde como já se viu há uma especialização inclusivamente para a população com maiores dificuldades em adquirir credito. Nos EUA, portanto, esta franja da população consegue emprestimos, nomeadamente hipotecas a niveis de juro bastante elevados. Então e na Europa, principalmente em Portugal?
Bem, o caso por cá é diferente, se bem que na minha opinião igualmente grave. Por cá, os bancos terão sempre assegurado o accionar da garantia, como por exemplo o imovel, para fazer face a uma eventual falha no pagamento das prestações. Como aqui não é possivel ou não é usual pedir emprestimo a meio da hipoteca sobre o valor do imovel total, voltando a 100% de endividamento, o problema que originou o credit crunch nos EUA à partida por esta via não se poe.
A questão é que há muito que muitas famílias portuguesas recorrem a outras instituições de crédito para refinanciamento e empacotamento do crédito, alargando prazos, mesmo que tal signifique mais juros - o que é perfeitamente normal, dado o risco naturalmente assumido pela instituição de crédito -, e implique obviamente o estrangualmento da capacidade de endividamento ao máximo, para toda a vida. Sem possibilidade de novos créditos. Ora, aqui é que reside o maior problema: recurso a credito para resolver problema de dificuldade de pagamento de créditos. A crise por cá é dissimulada por esta via. Os bancos ditos tradicionais não se ressentem, porque as famílias recorrem a instituições de crédito especializadas, e estas também não se queixam, dado a elevada taxa que cobram estar preparada e a conseguir fazer face à percentagem de defaults. Parece tudo bem, excepto num ponto: as famílias.
Estas já não podem deixar de pagar como nos EUA, porque não é so a casa que está em jogo, já são todos os seus rendimentos futuros. O estrangulamento é já evidente em muitos casos, e mesmo assim não parece haver grande vontade de encetar mudanças de habitos de consumo e de recurso a crédito. Parece que a aprendizagem da população portuguesa foi demasiado rápida face à estabilidade de preços e consequente nivel baixo de juros da zona euro (e ainda se queixam da entrada para a moeda única !!!): o nível de juros históricamente baixos nao poderia durar para sempre. E se algum motivo há para o ECB elevar os juros, este é um deles, ou seja, o recurso desmesurado e irracional ao crédito. Infelizmente os portugueses vão aprender esta lição da pior maneira...
sábado, setembro 01, 2007
Eu também apoio Marques Mendes porque...
- é claramente o político mais inteligente e versátil do espectro político português...
- é claramente um politico que enquanto deputado eleito por aveiro desenvolveu inegáveis esforços pela região e pela cidade...
- tem uma visão sobre o mundo e o país clarividente, e jamais pondo o aparelho do PSD acima desta sua visão...
- é sem duvida nenhuma importantissimo para mim apoiar Marques Mendes, pois assim deverei conseguir inumeros benefícios para a região e cidade...
- para além de que quando Marques Mendes for primeiro-ministro (...) Aveiro será sempre lembrada...
- não sabe o que é a Somague...
- o Ribau apoia o outro que até vai perder..
(em constante actualização, assim que me for lembrando de mais mais razões. se alguem me quiser ajudar...seja bem-vindo!)
- é claramente um politico que enquanto deputado eleito por aveiro desenvolveu inegáveis esforços pela região e pela cidade...
- tem uma visão sobre o mundo e o país clarividente, e jamais pondo o aparelho do PSD acima desta sua visão...
- é sem duvida nenhuma importantissimo para mim apoiar Marques Mendes, pois assim deverei conseguir inumeros benefícios para a região e cidade...
- para além de que quando Marques Mendes for primeiro-ministro (...) Aveiro será sempre lembrada...
- não sabe o que é a Somague...
- o Ribau apoia o outro que até vai perder..
(em constante actualização, assim que me for lembrando de mais mais razões. se alguem me quiser ajudar...seja bem-vindo!)
quarta-feira, agosto 29, 2007
Jose Manuel "cada vez menos só" Barroso
O actual presidente da Comissão Europeia negou conhecimento da negociata do PSD com a Somague. Sendo presidente do PSD na altura, é caso de estranhar. A pergunta impoe-se: como presidente da Comissão, que outros "pormenores" dentro da EU e da propria comissão desconhece?
Está claramente em risco a sua reeleiçao, e cada vez menos explicável a sua fuga do executivo portugues. Ou talvez nao...
Está claramente em risco a sua reeleiçao, e cada vez menos explicável a sua fuga do executivo portugues. Ou talvez nao...
Jóias. Arte. (!?!)

http://www.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml?xml=/arts/2007/06/01/bahirst101.xml
Esta magnifica obra de arte custou 100 milhoes de dolares a um fundo de investimento de arte. Já agora, o autor da peça é um dos artistas mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em mais 140 milhoes de libras (qualquer coisa como 200 milhoes de euros...)...
"Socialismo dos ricos"
Não sou quem o diz. São a maioria dos comentadores e analistas de mercados financeiros, caso os bancos centrais desçam as taxas de juro.
Capitalismo selvagem, neo-liberalismo, economia de mercado - chamem-lhe o que quiserem - não inclui salvar os que nao sao cuidadosos, nem cegos ao risco.
Tanto o FED como o Banco Central Europeu ao aliviarem a pressao da taxa de juro apenas estarão a cair no chamado "moral hazard" ou risco moral, ou seja, a incentivarem a que investidores e hedge funds continuem a fazer investimentos de alto risco, sem o devido downside, ou seja, a desvalorização dos activos, caso tal seja a vontade do mercado como um todo.
Ou seja, isto não é mais do que desincentivar à precaução. Uma especie de socialismo, para investidores ricos.
Ah, ja agora, para os (poucos e heroicos) leitores mais socialistas e que vêm criticando a subida dos juros, fica a pergunta: Será justo os bancos centrais salvarem aqueles que em ultima análise criaram esta bolha especulativa?
Capitalismo selvagem, neo-liberalismo, economia de mercado - chamem-lhe o que quiserem - não inclui salvar os que nao sao cuidadosos, nem cegos ao risco.
Tanto o FED como o Banco Central Europeu ao aliviarem a pressao da taxa de juro apenas estarão a cair no chamado "moral hazard" ou risco moral, ou seja, a incentivarem a que investidores e hedge funds continuem a fazer investimentos de alto risco, sem o devido downside, ou seja, a desvalorização dos activos, caso tal seja a vontade do mercado como um todo.
Ou seja, isto não é mais do que desincentivar à precaução. Uma especie de socialismo, para investidores ricos.
Ah, ja agora, para os (poucos e heroicos) leitores mais socialistas e que vêm criticando a subida dos juros, fica a pergunta: Será justo os bancos centrais salvarem aqueles que em ultima análise criaram esta bolha especulativa?
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Finanças Locais e accountability
Penalva do Castelo resolveu nao ficar com a totalidade dos 5% de IRS dos contribuintes a que tem direito, baixando deste modo a incidencia fiscal dos seus municipes.
Talvez isto possa ser competitividade....
Talvez isto possa ser competitividade....
sábado, agosto 25, 2007
Independentes com Marques Mendes?
Eu, como militante do CDS-PP pouco tenho a ver com a eleição do proximo lider do PSD, tanto mais que qualquer uma das alternativas é tao ma ou pior que a outra, e onde a mediocridade intelectual parece impedir que os quadros valiosos do PSD - que os há! - apareçam e ajudem ao debate politico do País.
É, portanto um PSD virado para dentro, em lutas sobre e para o aparelho, sem ideias para o País, com a pura intenção do poder pelo poder, com vista a eleições, onde o que interessa é estar na frente. É um partido que sofre de partidarite aguda, sob o veu de maus governos e sem lideres capazes. Os potenciais lideres capazes sao suficientemente inteligentes para manter-se na sombra.
Mas como disse, nada disto me preocuparia minimamente, não fosse esta onda interna do PSD tentar a todo o curso recolher apoios do aparelho local. É certo que qualquer cidadão é livre de se filiar onde muito bem entender, assim como qualquer cidadão será também eventualmente livre de manifestar a sua opinião sobre a eleição interna de qualquer partido.
O que me preocupa é simplesmente o facto de estes apoios de tao forçados que parecem, sejam apenas isso: aparelho. E para aparelho, não contem comigo. Sou mais de ideias e trabalho. E ja agora mérito...
Sinceramente, não penso que nenhum presidente de camara possa desempenhar melhor ou pior a sua função por passar a apoiar um candidato a lider de um partido. Ou pelo menos nao devia. Se o tem que fazer, entao algo vai mal. E pelos vistos assim vai continuar.
Partidos politicos deviam ser uma forma, um meio de discutir e aplicar ideias. Não uma arena de intenções e ambições.
É, portanto um PSD virado para dentro, em lutas sobre e para o aparelho, sem ideias para o País, com a pura intenção do poder pelo poder, com vista a eleições, onde o que interessa é estar na frente. É um partido que sofre de partidarite aguda, sob o veu de maus governos e sem lideres capazes. Os potenciais lideres capazes sao suficientemente inteligentes para manter-se na sombra.
Mas como disse, nada disto me preocuparia minimamente, não fosse esta onda interna do PSD tentar a todo o curso recolher apoios do aparelho local. É certo que qualquer cidadão é livre de se filiar onde muito bem entender, assim como qualquer cidadão será também eventualmente livre de manifestar a sua opinião sobre a eleição interna de qualquer partido.
O que me preocupa é simplesmente o facto de estes apoios de tao forçados que parecem, sejam apenas isso: aparelho. E para aparelho, não contem comigo. Sou mais de ideias e trabalho. E ja agora mérito...
Sinceramente, não penso que nenhum presidente de camara possa desempenhar melhor ou pior a sua função por passar a apoiar um candidato a lider de um partido. Ou pelo menos nao devia. Se o tem que fazer, entao algo vai mal. E pelos vistos assim vai continuar.
Partidos politicos deviam ser uma forma, um meio de discutir e aplicar ideias. Não uma arena de intenções e ambições.
PSD e a Somague
Parece que passa incolume esta verdadeira vergonha no espectro partidario portugues. Talvez porque todos tenham telhados de vidro, ou talvez porque seja necessario nao levantar muita poeira sobre esta matéria.
Não me parece que qualquer tipo de ligação obscura entre partidos e empresas seja favoravel tanto a uma economia que se pretende de mercado e livre, como de uma democracia que se pretende transparente.
Daqui vai, portanto, o meu veemente protesto a tal forma de actuar. Seja de que partido for.
Não me parece que qualquer tipo de ligação obscura entre partidos e empresas seja favoravel tanto a uma economia que se pretende de mercado e livre, como de uma democracia que se pretende transparente.
Daqui vai, portanto, o meu veemente protesto a tal forma de actuar. Seja de que partido for.
sábado, agosto 11, 2007
Crise do Crédito - a verdadeira história
Esta semana o mundo em geral ficou a conhecer um problema que há muito atormenta os mercados financeiros: a crise do mercado imobiliário americano. Importa, no entanto, esclarecer alguns pontos que nestes últimos dias tem vindo a público na comunicação social e cuja explicação dos orgãos de comunicação tem deixado muito a desejar.
O chamado sector subprime mortgage não é mais que uma faixa do crédito hipotecário dos EUA dedicado à população com maior propenção a fazer default (ou seja, a deixar de pagar a prestação) no crédito à habitação. Naturalmente, este tipo de empréstimos é feito a uma taxa de juro superior, para fazer face ao nível de risco. Convém ainda esclarecer que nos EUA o devedor pode pedir mais dinheiro enquanto vai pagando a o crédito à habitação, isto é, pode ter sempre a 100% o montante em dívida face ao valor da habitação. O problema é que até aqui o preço das casas não descia, logo era sempre possível ter a casa como garantia para o pagamento do emprestimo, pois esta valeria sempre tanto ou mais que o montante em dívida. O problema começa há uns meses quando o preço das casas em certas áreas começa a cair...
A história até aqui nem seria particularmente grave para os bancos. Acredita-se que o nível de default no subprime não vai além dos 5% a 10%. E estas instituições fazem a securitização destes créditos. O grande problema está precisamente aqui. As instituições com ligações ao subprime vendem o conjunto dos créditos subprime em pacote, para formar uma pool de créditos, diversificando o risco, podendo trocar entre si a uma taxa de rentabilidade superior de qualquer outro produto com protecção hipotecária, dado que está no sector subprime. Estes produtos chamam-se CDO's (Collateralized Debt Obligations) que não são mais do que estruturas financeiras, seguras pelo activo em si, ou seja, as casas. Estes produtos englobam diversos níveis de risco, sendo que o mais baixo eram precisamente a pool de subprime.
A grande questão é que ao ser possível trocar (comprar e vender) estes produtos de forma alavancada, muitos bancos viram uma oportunidade de ganhar mais alguns pontos percentuais com nivel de risco (pensava-se) suficientemente diversificado para não consistir um problema. Mas começaram então os preços das casas a cair, e isto não foi antecipado.
Da-se então a crise, dado que muitos destes bancos compravam alavancados estes produtos, o que implica que um nivel de default no subprime de 5% significa no minimo uma perda de 20% no capital investido.
O primeiro banco a divulgar problemas sérios com esta crise foi o banco de investimento Bear Stearns, o qual geria 3 fundos de investimento que apostavam fortemente nestes CDO's, e cuja desvalorização foi praticamente total. Mais alguns hedge funds globais foram divulgando entretanto alguns problemas também.
A crise no entanto alastrou-se na passada sexta-feira dia 10 de Agosto para a Europa, onde o BNP Paribas - um dos maiores bancos europeus e o maior de França -, divulgou que os investidores em três dos seus fundos estariam impedidos de efectuar resgates porque se dizia incapaz de avaliar os activos neles inseridos. A questão no caso do BNP Paribas foi ainda mais grave, pois dois desses fundos eram supostamente fundos de tesouraria, ou seja, com nivel de risco praticamente nulo.
A crise do sector bancário é no entanto uma crise de confiança. COmo daqui se pode concluir, houve notoriamente bancos que mentiram em relação ao nivel de risco dos seus fundos de investimento. E mais, há obviamente bancos cuja exposição ao subprime norte-americano é ainda desconhecida. E é precisamente por este motivo que se dá a falta de liquidez do sector bancário mundial. Falhou a indispensável confiança entre instituições bancárias para linhas de crédito usuais entre si. Ninguém nesta altura sabe que instituições poderão eventualmente estar expostas ao subprime. Daí a intervenção do ECB e do FED para disponibilizar liquidez ao mercado, como "lender of last resource". Note-se no entanto que todos os fundos do ECB e do FED so são disponibilizados perante apresentação como contrapartida de obrigações do tesouro de governos europeus ou norte-americano.
Finalmente, em relação á taxa de juro, não é ainda claro o que irá acontecer. Não é normal que o ECB se sinta influenciado por este problema para alterar a sua política, o que não significa que o aumento previsto para Setembro não possa ser o último... Já na reserva federal americana, o cenário é diferente: apesar de algum abrandamento da economica, dificilmente o FED cortará taxas, ao contrário do que o sector financeiro gostaria para fazer face a este problema. Ou seja, o problema do crédito não será resolvido com taxas mais baixas nem com taxas superiores, é um problema de liquidez e confiança. O que aconteceu esta semana nos futuros de taxa de juro é apenas resultado de uma fuga dos investidores para zonas de risco minimas, como as obrigações europeias e americanas.
O chamado sector subprime mortgage não é mais que uma faixa do crédito hipotecário dos EUA dedicado à população com maior propenção a fazer default (ou seja, a deixar de pagar a prestação) no crédito à habitação. Naturalmente, este tipo de empréstimos é feito a uma taxa de juro superior, para fazer face ao nível de risco. Convém ainda esclarecer que nos EUA o devedor pode pedir mais dinheiro enquanto vai pagando a o crédito à habitação, isto é, pode ter sempre a 100% o montante em dívida face ao valor da habitação. O problema é que até aqui o preço das casas não descia, logo era sempre possível ter a casa como garantia para o pagamento do emprestimo, pois esta valeria sempre tanto ou mais que o montante em dívida. O problema começa há uns meses quando o preço das casas em certas áreas começa a cair...
A história até aqui nem seria particularmente grave para os bancos. Acredita-se que o nível de default no subprime não vai além dos 5% a 10%. E estas instituições fazem a securitização destes créditos. O grande problema está precisamente aqui. As instituições com ligações ao subprime vendem o conjunto dos créditos subprime em pacote, para formar uma pool de créditos, diversificando o risco, podendo trocar entre si a uma taxa de rentabilidade superior de qualquer outro produto com protecção hipotecária, dado que está no sector subprime. Estes produtos chamam-se CDO's (Collateralized Debt Obligations) que não são mais do que estruturas financeiras, seguras pelo activo em si, ou seja, as casas. Estes produtos englobam diversos níveis de risco, sendo que o mais baixo eram precisamente a pool de subprime.
A grande questão é que ao ser possível trocar (comprar e vender) estes produtos de forma alavancada, muitos bancos viram uma oportunidade de ganhar mais alguns pontos percentuais com nivel de risco (pensava-se) suficientemente diversificado para não consistir um problema. Mas começaram então os preços das casas a cair, e isto não foi antecipado.
Da-se então a crise, dado que muitos destes bancos compravam alavancados estes produtos, o que implica que um nivel de default no subprime de 5% significa no minimo uma perda de 20% no capital investido.
O primeiro banco a divulgar problemas sérios com esta crise foi o banco de investimento Bear Stearns, o qual geria 3 fundos de investimento que apostavam fortemente nestes CDO's, e cuja desvalorização foi praticamente total. Mais alguns hedge funds globais foram divulgando entretanto alguns problemas também.
A crise no entanto alastrou-se na passada sexta-feira dia 10 de Agosto para a Europa, onde o BNP Paribas - um dos maiores bancos europeus e o maior de França -, divulgou que os investidores em três dos seus fundos estariam impedidos de efectuar resgates porque se dizia incapaz de avaliar os activos neles inseridos. A questão no caso do BNP Paribas foi ainda mais grave, pois dois desses fundos eram supostamente fundos de tesouraria, ou seja, com nivel de risco praticamente nulo.
A crise do sector bancário é no entanto uma crise de confiança. COmo daqui se pode concluir, houve notoriamente bancos que mentiram em relação ao nivel de risco dos seus fundos de investimento. E mais, há obviamente bancos cuja exposição ao subprime norte-americano é ainda desconhecida. E é precisamente por este motivo que se dá a falta de liquidez do sector bancário mundial. Falhou a indispensável confiança entre instituições bancárias para linhas de crédito usuais entre si. Ninguém nesta altura sabe que instituições poderão eventualmente estar expostas ao subprime. Daí a intervenção do ECB e do FED para disponibilizar liquidez ao mercado, como "lender of last resource". Note-se no entanto que todos os fundos do ECB e do FED so são disponibilizados perante apresentação como contrapartida de obrigações do tesouro de governos europeus ou norte-americano.
Finalmente, em relação á taxa de juro, não é ainda claro o que irá acontecer. Não é normal que o ECB se sinta influenciado por este problema para alterar a sua política, o que não significa que o aumento previsto para Setembro não possa ser o último... Já na reserva federal americana, o cenário é diferente: apesar de algum abrandamento da economica, dificilmente o FED cortará taxas, ao contrário do que o sector financeiro gostaria para fazer face a este problema. Ou seja, o problema do crédito não será resolvido com taxas mais baixas nem com taxas superiores, é um problema de liquidez e confiança. O que aconteceu esta semana nos futuros de taxa de juro é apenas resultado de uma fuga dos investidores para zonas de risco minimas, como as obrigações europeias e americanas.
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segunda-feira, julho 09, 2007
Espaço Opinião: “Sociedade de Mérito”
E se fosse simples pagar (menos) impostos?
Flat Tax, um meio de atingir a meritocracia
De todos os impostos em Portugal, o Imposto sobre Rendimento de Pessoa Singular (IRS) é um dos mais complexos, tanto pela variedade ridícula de benefícios, descontos e artifícios semelhantes de remediar ineficiências e injustiças, como pela imposição de uma tributação progressiva, consoante o rendimento bruto. Na prática, é o conceito de que quanto mais se recebe, proporcionalmente muitos mais impostos se deve pagar.
Este conceito é em si próprio uma ineficiência por motivos de varia ordem: a mais óbvia reside na própria incapacidade e incompetência do Estado em gerir os impostos que recebe e dos quais se obriga a teoricamente redistribuir; é também totalmente ineficiente o Estado cobrar impostos que posteriormente devolve ou sob a forma de descontos via benefícios que na prática não passam de formas de remendar a lei injusta, beneficiando neste caso apenas aqueles que sabem como maximizar esses benefícios; mas também é conceptualmente ineficiente ao desincentivar o mérito, numa sociedade que já todos concluímos que só poderá evoluir via aumento da produtividade e competitividade, ou seja, premiando o mérito.
Em suma, o Estado é o primeiro a gastar mal, a gastar demais, a exigir demais, a redistribuir mal e a não incentivar o mérito. Para cúmulo, ainda obriga a restrições orçamentais resultantes dessa má gestão, as quais afectam unicamente os mesmos de sempre: os contribuintes.
A solução parece portanto óbvia: o Estado deve gerir a menor quantidade possível de fundos proveniente de impostos por manifesta incompetência e incapacidade. Mais, a complexidade legislativa no campo fiscal aliado à já referida incompetência tornou o pagamento de impostos algo que de tão obscuro impede qualquer relação remota com redistribuição e ajustes de ineficiências sociais, quando esse pagamento progressivo no caso do IRS tem como única justificação precisamente essa.
A discussão das chamadas flat taxes ou taxas planas de IRS faz cada mais sentido e tem vindo a ser cada vez mais intensa. O conceito de flat tax não passa da aplicação da mesma taxa de imposto a todos os níveis de rendimento, deixando a progressividade cair, assim como o incentivo à mediocridade que reina há tantos anos em Portugal. Quanto mais se recebe, mais se paga, mas na exacta proporção que qualquer outro nível de rendimento, premiando quem pelo seu esforço aufere mais rendimentos, e acima de tudo, não deixando que o Estado recolha impostos que não sabe nem nunca soube redistribuir ou gerir correctamente.
É portanto absolutamente essencial e urgente debater a revisão da legislação fiscal, esta sim com verdadeiro impacto na competitividade do País, para além de sinal claro que vale a pena ser produtivo no trabalho. Simple is beautiful!
Publicado no jornal "O Aveiro" em 5 de Julho de 2007
Flat Tax, um meio de atingir a meritocracia
De todos os impostos em Portugal, o Imposto sobre Rendimento de Pessoa Singular (IRS) é um dos mais complexos, tanto pela variedade ridícula de benefícios, descontos e artifícios semelhantes de remediar ineficiências e injustiças, como pela imposição de uma tributação progressiva, consoante o rendimento bruto. Na prática, é o conceito de que quanto mais se recebe, proporcionalmente muitos mais impostos se deve pagar.
Este conceito é em si próprio uma ineficiência por motivos de varia ordem: a mais óbvia reside na própria incapacidade e incompetência do Estado em gerir os impostos que recebe e dos quais se obriga a teoricamente redistribuir; é também totalmente ineficiente o Estado cobrar impostos que posteriormente devolve ou sob a forma de descontos via benefícios que na prática não passam de formas de remendar a lei injusta, beneficiando neste caso apenas aqueles que sabem como maximizar esses benefícios; mas também é conceptualmente ineficiente ao desincentivar o mérito, numa sociedade que já todos concluímos que só poderá evoluir via aumento da produtividade e competitividade, ou seja, premiando o mérito.
Em suma, o Estado é o primeiro a gastar mal, a gastar demais, a exigir demais, a redistribuir mal e a não incentivar o mérito. Para cúmulo, ainda obriga a restrições orçamentais resultantes dessa má gestão, as quais afectam unicamente os mesmos de sempre: os contribuintes.
A solução parece portanto óbvia: o Estado deve gerir a menor quantidade possível de fundos proveniente de impostos por manifesta incompetência e incapacidade. Mais, a complexidade legislativa no campo fiscal aliado à já referida incompetência tornou o pagamento de impostos algo que de tão obscuro impede qualquer relação remota com redistribuição e ajustes de ineficiências sociais, quando esse pagamento progressivo no caso do IRS tem como única justificação precisamente essa.
A discussão das chamadas flat taxes ou taxas planas de IRS faz cada mais sentido e tem vindo a ser cada vez mais intensa. O conceito de flat tax não passa da aplicação da mesma taxa de imposto a todos os níveis de rendimento, deixando a progressividade cair, assim como o incentivo à mediocridade que reina há tantos anos em Portugal. Quanto mais se recebe, mais se paga, mas na exacta proporção que qualquer outro nível de rendimento, premiando quem pelo seu esforço aufere mais rendimentos, e acima de tudo, não deixando que o Estado recolha impostos que não sabe nem nunca soube redistribuir ou gerir correctamente.
É portanto absolutamente essencial e urgente debater a revisão da legislação fiscal, esta sim com verdadeiro impacto na competitividade do País, para além de sinal claro que vale a pena ser produtivo no trabalho. Simple is beautiful!
Publicado no jornal "O Aveiro" em 5 de Julho de 2007
sexta-feira, maio 18, 2007
Crise na CML
Aberta a guerra pelo poder em Lisboa, muitas são as questões passiveis de uma abordagem e analise.
Desde logo, a vontade da esquerda em coligar-se sem ter um projecto em comum, assim como a falta de qualidade disponivel no PSD e a dificuldade de escolha do CDS-PP para um cargo cuja importancia é inequivoca, mas cujo timing em que empossará o novo presidente surge com importancia acrescida.
Há ainda a questão dos independentes à esquerda e à direita, com Helena Roseta a conseguir já hoje numa sondagem o terceiro lugar (!!) e Carmona Rodrigues a não querer (e bem) não avançar.
Primeiro as coligações à esquerda. São sobejamente conhecidas as ligações esporádicas para a CML à esquerda. Sempre foi conveniente à esquerda unir-se em Lisboa, na maior parte da vezes para a derrota não parecer tão pesada (nos tempos do saudoso Abcassis), e no caso de Sampaio para ganhar o poder por qualquer meio. Não há claramente um projecto comum em Lisboa à esquerda: o PS tem um candidato forte de quem nunca se ouviu uma palavra sobre Lisboa ou sobre o trabalho autarquico em geral; o Bloco tem Sá Fernandes que é bastante bom a vasculhar falhas legais e a criar entraves (em certos casos bem) ao desenvolvimento da dificil tarefa de um autarca não tropeçar na lei. O PCP bem...tem Ruben de Carvalho, que costuma fazer bons debates na SIC Noticias.
Mas a Direita não está muito melhor, com a n-esima escolha de Fernando Negrão, cujo percurso político não será talvez com o melhor trackrecord para assumir um cargo desta natureza, nem tão pouco terá o perfil e peso político para vencer. Parece que o PSD apenas quer que as eleições passem rapido para poder lavar a cara dos últimos dois anos de Carmona. Quanto ao CDS, a confirmar-se Nobre Guedes, será certamente um nome de peso e perfil indicados para o cargo, pelo que poderá dizer-se que o CDS não virou a cara à luta que se anteve muito dificil para a Direita.
Ha ainda Helena Roseta que parece ter desde já uma importante almofada de votos que poderá certamente capitalizar em campanha. Poderá mesmo ser um forte entrave a que o PS ganhe com maioria a Camara.
Mas ha outras questões para alem destas obvias que vale a pena ter em atenção. Por exemplo, o mandatário de António Costa é Jose Miguel Judice, antigo dirigente do PSD. Curioso, no minimo.
E mais importante, quem tomar o lugar na presidencia da CML tem a seu cargo importantes decisões para Portugal, tais como viabilizar (ou não) a OTA e facilitar (ou não) no caso do TGV. Por isso é vital para o PS ganhar a camara, por isso empenhou um dos seus melhores activos politicos nesta luta.
Por isso também, diria eu, que será mau para o País se António Costa ganhasse com maioria absoluta. Mas também não se poderá dizer que o PSD tenha feito muito para impedir que tal aconteça....
Desde logo, a vontade da esquerda em coligar-se sem ter um projecto em comum, assim como a falta de qualidade disponivel no PSD e a dificuldade de escolha do CDS-PP para um cargo cuja importancia é inequivoca, mas cujo timing em que empossará o novo presidente surge com importancia acrescida.
Há ainda a questão dos independentes à esquerda e à direita, com Helena Roseta a conseguir já hoje numa sondagem o terceiro lugar (!!) e Carmona Rodrigues a não querer (e bem) não avançar.
Primeiro as coligações à esquerda. São sobejamente conhecidas as ligações esporádicas para a CML à esquerda. Sempre foi conveniente à esquerda unir-se em Lisboa, na maior parte da vezes para a derrota não parecer tão pesada (nos tempos do saudoso Abcassis), e no caso de Sampaio para ganhar o poder por qualquer meio. Não há claramente um projecto comum em Lisboa à esquerda: o PS tem um candidato forte de quem nunca se ouviu uma palavra sobre Lisboa ou sobre o trabalho autarquico em geral; o Bloco tem Sá Fernandes que é bastante bom a vasculhar falhas legais e a criar entraves (em certos casos bem) ao desenvolvimento da dificil tarefa de um autarca não tropeçar na lei. O PCP bem...tem Ruben de Carvalho, que costuma fazer bons debates na SIC Noticias.
Mas a Direita não está muito melhor, com a n-esima escolha de Fernando Negrão, cujo percurso político não será talvez com o melhor trackrecord para assumir um cargo desta natureza, nem tão pouco terá o perfil e peso político para vencer. Parece que o PSD apenas quer que as eleições passem rapido para poder lavar a cara dos últimos dois anos de Carmona. Quanto ao CDS, a confirmar-se Nobre Guedes, será certamente um nome de peso e perfil indicados para o cargo, pelo que poderá dizer-se que o CDS não virou a cara à luta que se anteve muito dificil para a Direita.
Ha ainda Helena Roseta que parece ter desde já uma importante almofada de votos que poderá certamente capitalizar em campanha. Poderá mesmo ser um forte entrave a que o PS ganhe com maioria a Camara.
Mas ha outras questões para alem destas obvias que vale a pena ter em atenção. Por exemplo, o mandatário de António Costa é Jose Miguel Judice, antigo dirigente do PSD. Curioso, no minimo.
E mais importante, quem tomar o lugar na presidencia da CML tem a seu cargo importantes decisões para Portugal, tais como viabilizar (ou não) a OTA e facilitar (ou não) no caso do TGV. Por isso é vital para o PS ganhar a camara, por isso empenhou um dos seus melhores activos politicos nesta luta.
Por isso também, diria eu, que será mau para o País se António Costa ganhasse com maioria absoluta. Mas também não se poderá dizer que o PSD tenha feito muito para impedir que tal aconteça....
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