segunda-feira, setembro 03, 2007

De volta à Reforma Agrária na Educação?

O governo insistiu hoje na obrigação por parte das editoras em fixar o preço dos manuais escolares, nao podendo estas implementar aumentos de preços acima da inflação. Por outras, palavras, é o governo que fixa o valor dos manuais. Nunca esquecendo que vivemos numa sociedade onde supostamente é a lei do mercado que determina a qualidade e qualidade, atraves do equilibrio no preço, e que nao obstante, a educação é um valor essencial para o Estado, nao me parece de todo que seja via fixação de preços que se va atingir o ponto ideal ao nivel dos custos dos manuais escolares. Isto porque o problema nao pode ser resolvido desta forma, impedindo a pouca concorrencia de funcionar. O problema é antes resolvido com coragem: ou seja, impedindo conluios entre editoras, pondo em causa poderes instalados destas. Isso sim, é viver numa economia de mercado, adulta, sabendo usar as ferramentas que disponibiliza ao Estado.

domingo, setembro 02, 2007

O subprime português

Agora que a palavra "subprime" já está no vocabulário comum da população europeia não-financeira - a franja com ligações ao mundo financeiro há muito que ja sabia da extensão deste problema -, importa esclarecer ainda muitos pontos.

Na Europa - salvo em Inglaterra, se bem que em moldes diferentes - não há a diferenciação por parte das instituições de crédito face ao nível de risco dos seus clientes, pelo menos de forma tão estratificada como nos EUA, onde como já se viu há uma especialização inclusivamente para a população com maiores dificuldades em adquirir credito. Nos EUA, portanto, esta franja da população consegue emprestimos, nomeadamente hipotecas a niveis de juro bastante elevados. Então e na Europa, principalmente em Portugal?

Bem, o caso por cá é diferente, se bem que na minha opinião igualmente grave. Por cá, os bancos terão sempre assegurado o accionar da garantia, como por exemplo o imovel, para fazer face a uma eventual falha no pagamento das prestações. Como aqui não é possivel ou não é usual pedir emprestimo a meio da hipoteca sobre o valor do imovel total, voltando a 100% de endividamento, o problema que originou o credit crunch nos EUA à partida por esta via não se poe.

A questão é que há muito que muitas famílias portuguesas recorrem a outras instituições de crédito para refinanciamento e empacotamento do crédito, alargando prazos, mesmo que tal signifique mais juros - o que é perfeitamente normal, dado o risco naturalmente assumido pela instituição de crédito -, e implique obviamente o estrangualmento da capacidade de endividamento ao máximo, para toda a vida. Sem possibilidade de novos créditos. Ora, aqui é que reside o maior problema: recurso a credito para resolver problema de dificuldade de pagamento de créditos. A crise por cá é dissimulada por esta via. Os bancos ditos tradicionais não se ressentem, porque as famílias recorrem a instituições de crédito especializadas, e estas também não se queixam, dado a elevada taxa que cobram estar preparada e a conseguir fazer face à percentagem de defaults. Parece tudo bem, excepto num ponto: as famílias.

Estas já não podem deixar de pagar como nos EUA, porque não é so a casa que está em jogo, já são todos os seus rendimentos futuros. O estrangulamento é já evidente em muitos casos, e mesmo assim não parece haver grande vontade de encetar mudanças de habitos de consumo e de recurso a crédito. Parece que a aprendizagem da população portuguesa foi demasiado rápida face à estabilidade de preços e consequente nivel baixo de juros da zona euro (e ainda se queixam da entrada para a moeda única !!!): o nível de juros históricamente baixos nao poderia durar para sempre. E se algum motivo há para o ECB elevar os juros, este é um deles, ou seja, o recurso desmesurado e irracional ao crédito. Infelizmente os portugueses vão aprender esta lição da pior maneira...

sábado, setembro 01, 2007

Eu também apoio Marques Mendes porque...

- é claramente o político mais inteligente e versátil do espectro político português...

- é claramente um politico que enquanto deputado eleito por aveiro desenvolveu inegáveis esforços pela região e pela cidade...

- tem uma visão sobre o mundo e o país clarividente, e jamais pondo o aparelho do PSD acima desta sua visão...

- é sem duvida nenhuma importantissimo para mim apoiar Marques Mendes, pois assim deverei conseguir inumeros benefícios para a região e cidade...

- para além de que quando Marques Mendes for primeiro-ministro (...) Aveiro será sempre lembrada...

- não sabe o que é a Somague...

- o Ribau apoia o outro que até vai perder..

(em constante actualização, assim que me for lembrando de mais mais razões. se alguem me quiser ajudar...seja bem-vindo!)

quarta-feira, agosto 29, 2007

Jose Manuel "cada vez menos só" Barroso

O actual presidente da Comissão Europeia negou conhecimento da negociata do PSD com a Somague. Sendo presidente do PSD na altura, é caso de estranhar. A pergunta impoe-se: como presidente da Comissão, que outros "pormenores" dentro da EU e da propria comissão desconhece?

Está claramente em risco a sua reeleiçao, e cada vez menos explicável a sua fuga do executivo portugues. Ou talvez nao...

Jóias. Arte. (!?!)



http://www.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml?xml=/arts/2007/06/01/bahirst101.xml

Esta magnifica obra de arte custou 100 milhoes de dolares a um fundo de investimento de arte. Já agora, o autor da peça é um dos artistas mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em mais 140 milhoes de libras (qualquer coisa como 200 milhoes de euros...)...

"Socialismo dos ricos"

Não sou quem o diz. São a maioria dos comentadores e analistas de mercados financeiros, caso os bancos centrais desçam as taxas de juro.

Capitalismo selvagem, neo-liberalismo, economia de mercado - chamem-lhe o que quiserem - não inclui salvar os que nao sao cuidadosos, nem cegos ao risco.

Tanto o FED como o Banco Central Europeu ao aliviarem a pressao da taxa de juro apenas estarão a cair no chamado "moral hazard" ou risco moral, ou seja, a incentivarem a que investidores e hedge funds continuem a fazer investimentos de alto risco, sem o devido downside, ou seja, a desvalorização dos activos, caso tal seja a vontade do mercado como um todo.

Ou seja, isto não é mais do que desincentivar à precaução. Uma especie de socialismo, para investidores ricos.

Ah, ja agora, para os (poucos e heroicos) leitores mais socialistas e que vêm criticando a subida dos juros, fica a pergunta: Será justo os bancos centrais salvarem aqueles que em ultima análise criaram esta bolha especulativa?

Finanças Locais e accountability

Penalva do Castelo resolveu nao ficar com a totalidade dos 5% de IRS dos contribuintes a que tem direito, baixando deste modo a incidencia fiscal dos seus municipes.

Talvez isto possa ser competitividade....

sábado, agosto 25, 2007

Independentes com Marques Mendes?

Eu, como militante do CDS-PP pouco tenho a ver com a eleição do proximo lider do PSD, tanto mais que qualquer uma das alternativas é tao ma ou pior que a outra, e onde a mediocridade intelectual parece impedir que os quadros valiosos do PSD - que os há! - apareçam e ajudem ao debate politico do País.

É, portanto um PSD virado para dentro, em lutas sobre e para o aparelho, sem ideias para o País, com a pura intenção do poder pelo poder, com vista a eleições, onde o que interessa é estar na frente. É um partido que sofre de partidarite aguda, sob o veu de maus governos e sem lideres capazes. Os potenciais lideres capazes sao suficientemente inteligentes para manter-se na sombra.

Mas como disse, nada disto me preocuparia minimamente, não fosse esta onda interna do PSD tentar a todo o curso recolher apoios do aparelho local. É certo que qualquer cidadão é livre de se filiar onde muito bem entender, assim como qualquer cidadão será também eventualmente livre de manifestar a sua opinião sobre a eleição interna de qualquer partido.

O que me preocupa é simplesmente o facto de estes apoios de tao forçados que parecem, sejam apenas isso: aparelho. E para aparelho, não contem comigo. Sou mais de ideias e trabalho. E ja agora mérito...

Sinceramente, não penso que nenhum presidente de camara possa desempenhar melhor ou pior a sua função por passar a apoiar um candidato a lider de um partido. Ou pelo menos nao devia. Se o tem que fazer, entao algo vai mal. E pelos vistos assim vai continuar.

Partidos politicos deviam ser uma forma, um meio de discutir e aplicar ideias. Não uma arena de intenções e ambições.

PSD e a Somague

Parece que passa incolume esta verdadeira vergonha no espectro partidario portugues. Talvez porque todos tenham telhados de vidro, ou talvez porque seja necessario nao levantar muita poeira sobre esta matéria.


Não me parece que qualquer tipo de ligação obscura entre partidos e empresas seja favoravel tanto a uma economia que se pretende de mercado e livre, como de uma democracia que se pretende transparente.

Daqui vai, portanto, o meu veemente protesto a tal forma de actuar. Seja de que partido for.

sábado, agosto 11, 2007

Crise do Crédito - a verdadeira história

Esta semana o mundo em geral ficou a conhecer um problema que há muito atormenta os mercados financeiros: a crise do mercado imobiliário americano. Importa, no entanto, esclarecer alguns pontos que nestes últimos dias tem vindo a público na comunicação social e cuja explicação dos orgãos de comunicação tem deixado muito a desejar.

O chamado sector subprime mortgage não é mais que uma faixa do crédito hipotecário dos EUA dedicado à população com maior propenção a fazer default (ou seja, a deixar de pagar a prestação) no crédito à habitação. Naturalmente, este tipo de empréstimos é feito a uma taxa de juro superior, para fazer face ao nível de risco. Convém ainda esclarecer que nos EUA o devedor pode pedir mais dinheiro enquanto vai pagando a o crédito à habitação, isto é, pode ter sempre a 100% o montante em dívida face ao valor da habitação. O problema é que até aqui o preço das casas não descia, logo era sempre possível ter a casa como garantia para o pagamento do emprestimo, pois esta valeria sempre tanto ou mais que o montante em dívida. O problema começa há uns meses quando o preço das casas em certas áreas começa a cair...

A história até aqui nem seria particularmente grave para os bancos. Acredita-se que o nível de default no subprime não vai além dos 5% a 10%. E estas instituições fazem a securitização destes créditos. O grande problema está precisamente aqui. As instituições com ligações ao subprime vendem o conjunto dos créditos subprime em pacote, para formar uma pool de créditos, diversificando o risco, podendo trocar entre si a uma taxa de rentabilidade superior de qualquer outro produto com protecção hipotecária, dado que está no sector subprime. Estes produtos chamam-se CDO's (Collateralized Debt Obligations) que não são mais do que estruturas financeiras, seguras pelo activo em si, ou seja, as casas. Estes produtos englobam diversos níveis de risco, sendo que o mais baixo eram precisamente a pool de subprime.

A grande questão é que ao ser possível trocar (comprar e vender) estes produtos de forma alavancada, muitos bancos viram uma oportunidade de ganhar mais alguns pontos percentuais com nivel de risco (pensava-se) suficientemente diversificado para não consistir um problema. Mas começaram então os preços das casas a cair, e isto não foi antecipado.

Da-se então a crise, dado que muitos destes bancos compravam alavancados estes produtos, o que implica que um nivel de default no subprime de 5% significa no minimo uma perda de 20% no capital investido.

O primeiro banco a divulgar problemas sérios com esta crise foi o banco de investimento Bear Stearns, o qual geria 3 fundos de investimento que apostavam fortemente nestes CDO's, e cuja desvalorização foi praticamente total. Mais alguns hedge funds globais foram divulgando entretanto alguns problemas também.

A crise no entanto alastrou-se na passada sexta-feira dia 10 de Agosto para a Europa, onde o BNP Paribas - um dos maiores bancos europeus e o maior de França -, divulgou que os investidores em três dos seus fundos estariam impedidos de efectuar resgates porque se dizia incapaz de avaliar os activos neles inseridos. A questão no caso do BNP Paribas foi ainda mais grave, pois dois desses fundos eram supostamente fundos de tesouraria, ou seja, com nivel de risco praticamente nulo.

A crise do sector bancário é no entanto uma crise de confiança. COmo daqui se pode concluir, houve notoriamente bancos que mentiram em relação ao nivel de risco dos seus fundos de investimento. E mais, há obviamente bancos cuja exposição ao subprime norte-americano é ainda desconhecida. E é precisamente por este motivo que se dá a falta de liquidez do sector bancário mundial. Falhou a indispensável confiança entre instituições bancárias para linhas de crédito usuais entre si. Ninguém nesta altura sabe que instituições poderão eventualmente estar expostas ao subprime. Daí a intervenção do ECB e do FED para disponibilizar liquidez ao mercado, como "lender of last resource". Note-se no entanto que todos os fundos do ECB e do FED so são disponibilizados perante apresentação como contrapartida de obrigações do tesouro de governos europeus ou norte-americano.

Finalmente, em relação á taxa de juro, não é ainda claro o que irá acontecer. Não é normal que o ECB se sinta influenciado por este problema para alterar a sua política, o que não significa que o aumento previsto para Setembro não possa ser o último... Já na reserva federal americana, o cenário é diferente: apesar de algum abrandamento da economica, dificilmente o FED cortará taxas, ao contrário do que o sector financeiro gostaria para fazer face a este problema. Ou seja, o problema do crédito não será resolvido com taxas mais baixas nem com taxas superiores, é um problema de liquidez e confiança. O que aconteceu esta semana nos futuros de taxa de juro é apenas resultado de uma fuga dos investidores para zonas de risco minimas, como as obrigações europeias e americanas.

segunda-feira, julho 09, 2007

Espaço Opinião: “Sociedade de Mérito”

E se fosse simples pagar (menos) impostos?
Flat Tax, um meio de atingir a meritocracia

De todos os impostos em Portugal, o Imposto sobre Rendimento de Pessoa Singular (IRS) é um dos mais complexos, tanto pela variedade ridícula de benefícios, descontos e artifícios semelhantes de remediar ineficiências e injustiças, como pela imposição de uma tributação progressiva, consoante o rendimento bruto. Na prática, é o conceito de que quanto mais se recebe, proporcionalmente muitos mais impostos se deve pagar.

Este conceito é em si próprio uma ineficiência por motivos de varia ordem: a mais óbvia reside na própria incapacidade e incompetência do Estado em gerir os impostos que recebe e dos quais se obriga a teoricamente redistribuir; é também totalmente ineficiente o Estado cobrar impostos que posteriormente devolve ou sob a forma de descontos via benefícios que na prática não passam de formas de remendar a lei injusta, beneficiando neste caso apenas aqueles que sabem como maximizar esses benefícios; mas também é conceptualmente ineficiente ao desincentivar o mérito, numa sociedade que já todos concluímos que só poderá evoluir via aumento da produtividade e competitividade, ou seja, premiando o mérito.

Em suma, o Estado é o primeiro a gastar mal, a gastar demais, a exigir demais, a redistribuir mal e a não incentivar o mérito. Para cúmulo, ainda obriga a restrições orçamentais resultantes dessa má gestão, as quais afectam unicamente os mesmos de sempre: os contribuintes.

A solução parece portanto óbvia: o Estado deve gerir a menor quantidade possível de fundos proveniente de impostos por manifesta incompetência e incapacidade. Mais, a complexidade legislativa no campo fiscal aliado à já referida incompetência tornou o pagamento de impostos algo que de tão obscuro impede qualquer relação remota com redistribuição e ajustes de ineficiências sociais, quando esse pagamento progressivo no caso do IRS tem como única justificação precisamente essa.

A discussão das chamadas flat taxes ou taxas planas de IRS faz cada mais sentido e tem vindo a ser cada vez mais intensa. O conceito de flat tax não passa da aplicação da mesma taxa de imposto a todos os níveis de rendimento, deixando a progressividade cair, assim como o incentivo à mediocridade que reina há tantos anos em Portugal. Quanto mais se recebe, mais se paga, mas na exacta proporção que qualquer outro nível de rendimento, premiando quem pelo seu esforço aufere mais rendimentos, e acima de tudo, não deixando que o Estado recolha impostos que não sabe nem nunca soube redistribuir ou gerir correctamente.

É portanto absolutamente essencial e urgente debater a revisão da legislação fiscal, esta sim com verdadeiro impacto na competitividade do País, para além de sinal claro que vale a pena ser produtivo no trabalho. Simple is beautiful!

Publicado no jornal "O Aveiro" em 5 de Julho de 2007

sexta-feira, maio 18, 2007

Crise na CML

Aberta a guerra pelo poder em Lisboa, muitas são as questões passiveis de uma abordagem e analise.

Desde logo, a vontade da esquerda em coligar-se sem ter um projecto em comum, assim como a falta de qualidade disponivel no PSD e a dificuldade de escolha do CDS-PP para um cargo cuja importancia é inequivoca, mas cujo timing em que empossará o novo presidente surge com importancia acrescida.

Há ainda a questão dos independentes à esquerda e à direita, com Helena Roseta a conseguir já hoje numa sondagem o terceiro lugar (!!) e Carmona Rodrigues a não querer (e bem) não avançar.

Primeiro as coligações à esquerda. São sobejamente conhecidas as ligações esporádicas para a CML à esquerda. Sempre foi conveniente à esquerda unir-se em Lisboa, na maior parte da vezes para a derrota não parecer tão pesada (nos tempos do saudoso Abcassis), e no caso de Sampaio para ganhar o poder por qualquer meio. Não há claramente um projecto comum em Lisboa à esquerda: o PS tem um candidato forte de quem nunca se ouviu uma palavra sobre Lisboa ou sobre o trabalho autarquico em geral; o Bloco tem Sá Fernandes que é bastante bom a vasculhar falhas legais e a criar entraves (em certos casos bem) ao desenvolvimento da dificil tarefa de um autarca não tropeçar na lei. O PCP bem...tem Ruben de Carvalho, que costuma fazer bons debates na SIC Noticias.

Mas a Direita não está muito melhor, com a n-esima escolha de Fernando Negrão, cujo percurso político não será talvez com o melhor trackrecord para assumir um cargo desta natureza, nem tão pouco terá o perfil e peso político para vencer. Parece que o PSD apenas quer que as eleições passem rapido para poder lavar a cara dos últimos dois anos de Carmona. Quanto ao CDS, a confirmar-se Nobre Guedes, será certamente um nome de peso e perfil indicados para o cargo, pelo que poderá dizer-se que o CDS não virou a cara à luta que se anteve muito dificil para a Direita.

Ha ainda Helena Roseta que parece ter desde já uma importante almofada de votos que poderá certamente capitalizar em campanha. Poderá mesmo ser um forte entrave a que o PS ganhe com maioria a Camara.

Mas ha outras questões para alem destas obvias que vale a pena ter em atenção. Por exemplo, o mandatário de António Costa é Jose Miguel Judice, antigo dirigente do PSD. Curioso, no minimo.

E mais importante, quem tomar o lugar na presidencia da CML tem a seu cargo importantes decisões para Portugal, tais como viabilizar (ou não) a OTA e facilitar (ou não) no caso do TGV. Por isso é vital para o PS ganhar a camara, por isso empenhou um dos seus melhores activos politicos nesta luta.

Por isso também, diria eu, que será mau para o País se António Costa ganhasse com maioria absoluta. Mas também não se poderá dizer que o PSD tenha feito muito para impedir que tal aconteça....

Congresso CDS-PP

Começa hoje mais um Congresso do CDS-PP em Torres Novas.

O inicio de um novo ciclo, dirão uns, a continuação de um velho, dirão outros.

Na minha opinião, trata-se essencialmente de arrumar um partido que tem vivido muito para dentro e pouco para fora no último ano.

Trata-se de abrir o partido finalmente a diversas visões politico-económicas do centro-direita, nomeadamente o liberalismo, o que naturalmente registo com muita satisfação.

É claramente o único partido do espectro politico democrático em Portugal que está a fazer uma evolução ideológica interna, apesar da viragem demagogica e sem aviso prévio do PS de Sócrates.

Será provavelmente o início de uma oposição com qualidade ao PS.

Crise no Banco Mundial

Não, o Banco Mundial não tem qualquer problema financeiro. É antes um problema...amoroso.

O presidente do BM resolveu aumentar signficativamente o ordenado de uma companheira sua, subindo-a também de posto. Claro que no panorama do mundo desenvolvido, isto constitui um escandalo. Pela Lusitânia...nem por isso...

Obviamente que o Presidente do BM vai ser afastado...

Sobe Euribor, Sobe (again)

As taxas de juro na Europa não param de subir nos últimos dias. Agora que já ha quase certeza do aumento do ECB para Junho, começa a especulação em redor de novo aumento. Com a economia da Alemanha a não dar sinais de abrandar e acima de tudo com sinais cada vez mais evidentes da pressão inflacionista vinda essencialmente da subida de salários (embora esta expressão possa parecer grotestamente errada para o cenário português...).

Com tudo isto, seria de esperar que a grande bolha em redor do mercado de acções abrandasse também. Pelo contrário, continua com enorme força a onda de M&As tanto na Europa como nos EUA, assim como os mercados não parecem descontar nem o efeito de aumento de encargos da dívida via aumento de juros, nem o inevitavel nível de risco que neste momento deveria exercer muito maior pressão nos preços.

Assim, o sentimento geral continua francamente positivo em relação a equity, mesmo que os indicadores (e analistas) deem sinais muito mais bearish...

sexta-feira, maio 11, 2007

Pub (II)

E porque quando há PMEs com grande potencial e que prestam um serviço que para além de eficiente é extremente divertido, aqui fica o URL para a Planiconquista, uma empresa dedicada à organização de jogos de paintball em Aveiro.

Pub (I)

Porque o blog é neo-liberal, permito-me fazer a publicidade que bem me apetecer.

Aqui vai uma pela originalidade:


http://www.beijosquedaopremios.com

quinta-feira, maio 10, 2007

Bolha? Qual bolha?

Os mercados mundiais estão em ebolição. As chamadas commodities, como cobre, petroleo e cereais atingiram níveis especulativos elevadíssimos, ate aqui justificados pela explosão de procura vinda da Ásia, especialmente da China (mas também India).

Por outro lado, aquilo que se assiste na Europa é uma onda desenfreada de M&A (fusões e aquisições) próprias de uma zona económica na sua plena força. Também nos USA essa onda ainda se vive, mas com dúvidas sobre o caminho do ciclo económico.

Não obstante, esta semana houve anuncios de taxas dos 3 mais importantes bancos centrais do mundo: UK, USA e Europa. O BoE subiu as taxas de referencia para 5,5%, devido a constante pressão inflaccionista que a Inglaterra vive de momento (a par de uma taxa de crescimento muito interessante), subida essa a qual não é certamente alheia a enorme bolha especulativa de preços de imóveis em Londres, cujo preço por metro quadrado (ou square feet por lá) atingiu níveis record e absolutamente proibitivos para o comum dos mortais com salários não-londrinos. Por outro lado, também a Reserva Federal americana e o ECB se pronunciaram sobre as suas taxas de referencia, com ambos a manter o preço do dinheiro. Não se julgue porém que a subida de juros por ca parou, porque Trichet já sinalizou mais uma subida pra Junho...

A questão da independencia do ECB esteve em destaque estas semanas, com Sarkozy a usar o facto do ECB não olhar para a constante valorização do Euro face ao dolar e restantes moedas mundiais para atacar o banco central europeu. De facto, o ECB tem como obrigação inscrita nos diversos tratados europeus a garantia da estabilidade de preços na zona euro. Logicamente, isto implica que a sua unica responsabilidade seja zelar pelo controlo da inflação. Contudo, e ao inves do que muitas vezes é acusado, esta "limitação" é apenas aparente, pois atraves do controlo da inflação se impede exageros do ciclo económico que a longo prazo certamente prejudicam mais o emprego e o crescimento que uma qualquer medida e forma de actuação mais solta e menos focada.

Por outro lado, com o problema do imobiliario em Espanha (onde a bolha especulativa é cada vez mais evidente) e no UK, os problemas que advem dos preços das commodities elevados e a aparente falha de valorização do risco dos mercados financeiros fazem com que os bancos centrais encarem com alguma reserva o optimismo que reina por entre os investidores, muitos deles sem experiencia.

segunda-feira, maio 07, 2007

Sarkozy e Jardim eleitos

Nas duas eleições de hoje venceram os que se esperava. Claro que Jardim sempre se esperou, mas a vitória do presidente do Governo Regional da Madeira venceu em varias frentes. Quanto ao novo presidente Francês, terá pela frente uma prova de fogo: não defraudar os eleitores que o elegeram e ao mesmo tempo sofrer as consequencias daqueles que não aceitarão o resultado democraticamente obtido em eleições...

Por partes. Jardim de facto foi um grande vencedor, obtendo uma larga maioria que legitima a sua posição sobremaneira: a única posição que defendeu em campanha foi a luta contra a legislação continental que incide sobre o seu orçamente, pelo que o plebiscito correu tal qual queria: o povo madeirense rejeitou aquilo que o continente ordenou. Não que mude muita coisa, mas uma coisa é certa, a legitimidade de Sócrates não é a mesma para o caso.

Já quanto a Sarkozy, venceu as eleições mais disputadas e participadas dos ultimos tempos, e segundo dizem os analistas, também das mais bem argumentadas e discutidas. De facto, Sarkozy estava melhor preparado em relação a uma candidata socialista que muito faz lembrar Sócrates: boa imagem, bom marketing, boa comunicação, mas pouca uva. Felizmente para eles, os franceses souberam detectar a tempo...

Auditoria da CM de Aveiro (I)

Cá está ela! A auditoria privada da CM Aveiro finalmente deu sinais de vida, depois de tanta polémica em seu redor. Não vou obviamente comenta-la, porque como todos sabem, a minha postura é sempre comentar estes assuntos em sedes proprias e nos momentos devidos, como será a reunião extraordinária da AM de Aveiro.

Mas o relátório está disponível no site da CM Aveiro, pelo que é acessível a todos.

Ah!,já me esquecia... O texto que acompanha o link para o referido relatório é uma autentica pérola de como não escrever português formal... (com o climax na nota de rodapé...)

http://www.cm-aveiro.pt/www/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=28116&divName=2&id_class=2